Debates e Provocações

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Hoje tive o prazer de participar do Debates & Provocações promovido pela FAAP e pela revista Época, no qual foram debatidas a Cidade do Futuro e a Mobilidade. Na companhia do Prefeito de São Paulo Fernando Haddad, do ex Secretário de  Municipal de Transportes de São Paulo Frederico Bussinger, e do jornalista Marcelo Moura, penso que fizemos um debate interessante no qual várias questões importantes foram levantadas.

Difícil falar do futuro sem pensar no fizemos e fazemos com nossas cidades. O brutal aumento das áreas urbanizadas no mundo, que triplicaram em apenas 14 anos, acarreta um excessivo consumo de recursos naturais e humanos. Questionar este modelo urbano é passo central para a elaboração de propostas, a serem implementadas no presente, mas cujas consequências permitirão o surgimento de uma nova cidade.

Uma das alternativas para o controle da expansão territorial urbana é a implementação de áreas com maior densidade populacional e usos mistos. Estas áreas tem por característica serem grandes polos de dinamismo econômico e cultural. A existência de moradias, e oportunidades de trabalho, seja no setor de serviços seja no comércio, ajuda a diminuir a demanda  do sistema de transporte. Ao fazer isto ela permite menores consumos de energia e terras.

O Prefeito Haddad lembrou fez citação de Shakespeare: Cidade, nada mais é do gente. De fato a relação entre as pessoas e o espaço urbano é o que qualifica uma cidade. Quanto mais as cidades ficam impregnadas de cultura, memórias e história, mais elas fazem sentido aos seus cidadãos.  Ele observou a existência de uma nova maneira de se apropriar do espaço público por parte dos mais jovens, que ocupam. Haddad questionou se em 30 anos esta geração fará questão do carro próprio, se optará por carros compartilhados ou mesmo viajar, morar no exterior. Para ele, toda a reflexão a respeito das cidades deve considerar soluções para o problema da desigualdade social.

O Engenheiro Bussinger defendeu a compreensão das questões de mobilidade em conjunto com as de logística. Na sua visão o planejamento urbano peca, em muitas oportunidades, por não levar em consideração esta relação. Ele também fez uma enfática defesa do uso de hidrovias, tanto como logística para o transporte de cargas, quanto para o transporte público na cidade de São Paulo. Ele sugeriu ainda, a construção de um hidroanel na cidade.

Uma questão consensual entre os debatedores foi a necessidade do poder público atuar na construção de regras pactuadas entre os diversos interesses. Bussinger foi categórico: “Não é possível que o poder público delegue ao privado o planejamento”. E o prefeito complementou: “Você tem de ter regras de regulação. E, a partir dessas regras, deixar o mercado agir”.

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Sobre Marcos O. Costa

Arquiteto Urbanista formado pela FAU Mackenzie com mestrado em estruturas ambientais urbanas pela FAUUSP. Associado à Borelli & Merigo, onde desenvolve projetos nas áreas de edificações e urbanismo. É professor da FAAP e da Escola São Paulo. A publicidade exposta neste Blog é de responsabilidade da Wordpress
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