A transformação das ruas do centro de Londres

Centro de Londres

Centro de Londres

Tudo funciona melhor em uma cidade, quando nos preocupamos com as necessidades das pessoas e não com as dos carros”

Iain Simmons, City of London Corporation

Iain Simmons é o simpático diretor assistente da City of London Corporation. Em uma entrevista concedida para o site StreetFilms ele apresenta as principais intervenções realizadas nos últimos anos no centro da cidade. Todas elas apontam para uma mesma direção: a valorização do espaço público como o lugar da sociabilidade.

Pesquisas indicaram que a maioria das pessoas queria ruas diferentes. Para realizar esta transformação, foi necessário desmontar parte da estrutura urbana anterior, que entendia o espaço da cidade como área de circulação de veículos. Uma das principais medidas foi a definição de um novo limite de velocidade para a região central da cidade: 20 milhas por hora, o equivalente a 32 km/h. Além disto, várias travessias de pedestres foram redesenhadas. Em algumas delas foram instaladas lombadas que eliminaram o desnível entre a calçada e a faixa de travessia. Assim, são os veículos que devem subir na faixa para cruzá-la, o que também serve como limitador de velocidade.

Foram empregados materiais de acabamento e design de alta qualidade. Todo o mobiliário especificado possui sofisticado desenho que ajuda na qualificação do ambiente urbano. Segundo Iain, estas ações permitiram aos motoristas uma leitura mais clara do espaço público. Eles passaram a identificar estas áreas como de uso prioritário de pedestres, o que as tornou mais seguras.

Em algumas ruas as calçadas dobraram de tamanho e passaram a ter 6 metros de largura. A paginação do piso marca o tamanho das antigas calçadas. Apesar da diminuição do espaço das vias o volume de tráfego permaneceu o mesmo. Com mais espaço para os pedestres, foram instalados mais bancos, fontes e árvores foram plantadas. O novo desenho das ruas fez com a velocidade dos veículos diminuísse.

Com o espaço organizado de forma mais clara e didática, cada um dos atores das ruas passou a adotar um comportamento mais respeitoso em relação aos demais: pedestres não atravessam mais fora das faixas, bicicletas respeitam os pedestres, e os carros evitam ultrapassar as bicicletas. Conclusão, a velocidade máxima destas ruas passou a ser a das bicicletas, ou seja, menos do que o limite de 20 mph.

Próximo à Catedral de St. Paul, uma das principais atrações turísticas da cidade, havia uma parada de ônibus. Durante quatro anos de paciente debate com a Igreja, as companhias de ônibus, e outros interessados, a CLC acabou os convencendo das vantagens de se transformar o local. Deste modo a parada de ônibus foi ligeiramente transferida de local e em seu lugar surgiu um espaço urbano de alta qualidade na paisagem londrina. A pequena praça criada melhorou a visualização da Igreja, assim como a conexão ao seu complexo entorno.

Uma série de ciclovias estão em construção no centro de Londres. Apesar do limite de 20 mph, ainda ocorrem mortes de ciclistas na cidade. As ciclovias são instaladas nas vias de maior tráfego e com maiores índices de acidentes.

Estas intervenções urbanas foram alvo de muitas críticas. Algumas afirmaram que o caos se abateria sobre Londres, transformando a cidade em pedaços. Apesar disto Iain afirma que as previsões catastrofistas “Jamais se realizaram”. Qualquer semelhança com o que vivenciamos em São Paulo (e em outras cidades brasileiras), não é mera coincidência.

Sobre Marcos O. Costa

Arquiteto Urbanista formado pela FAU Mackenzie com mestrado em estruturas ambientais urbanas pela FAUUSP. Associado à Borelli & Merigo, onde desenvolve projetos nas áreas de edificações e urbanismo. É professor da FAAP e da Escola São Paulo. A publicidade exposta neste Blog é de responsabilidade da Wordpress
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