Roteiro de carro para Brasília, Chapada dos Veadeiros e Cidades Históricas de Goiás

Roteiro de Carro: Brasíla e Goiás

Roteiro de Carro: Brasíla, Chapada dos Veadeiros e Cidades Históricas de Goiás

Brasília é hoje o mais importante hub para voos domésticos do Brasil, o que torna mais fácil, e barato, voar para lá. Seus atrativos culturais não são devidamente conhecidos. A cidade possui muito mais do que a arquitetura de Niemeyer e o Urbanismo de Costa. Bons restaurantes com os mais variados pratos da cozinha brasileira e internacional. Museus e memoriais (projetados por Niemeyer) possuem acervos importantes que retratam a arte e a história brasileiras. Os parques públicos da cidade são belos exemplares do melhor paisagismo brasileiro.

Por ser uma cidade modernista, o carro é protagonista. A cidade só se articula através do seu uso. Ao mesmo tempo no entorno goiano do Distrito Federal existem muitas regiões interessantes. Ao norte fica a Chapada dos Veadeiros e à oeste as cidades históricas de Pirenópolis e Goiás. Estas regiões são facilmente acessíveis de carro a partir de Brasília. Diante destes fatos, optamos por uma solução mista: avião de São Paulo à Brasília, e depois alugar um carro para percorrermos o interior de Goiás.

As estradas do Distrito Federal são boas e, em alguns casos, já estão duplicadas. Em Goiás a situação das estradas ainda é irregular. A malha rodoviária do estado ainda não está totalmente asfaltada e muitos trechos só podem ser vencidos através de estradas de terra. Ao consultar os mapas digitais (Google e Waze) se verifica que eles não estão devidamente atualizados. Por isto, uma recomendação: compre um bom mapa rodoviário da região. Cabe ressaltar que o estado de Goiás amplia neste momento sua rede de estradas pavimentadas. Encontramos várias obras ao longo da viagem. O principal problema é a péssima sinalização das estradas sejam elas federais ou estaduais. É preciso ficar muito atento pois as informações de acessos, distâncias, velocidade máxima e curvas perigosas são escassas ou mesmo inexistentes. Quanto à qualidade do pavimento ela é em geral boa. A maior parte das estradas é nova ou foi asfaltada recentemente.

Assim o que se sugere é um roteiro de carro que busca aproveitar o potencial da região. Ao final rodamos 1.400 km, atravessando regiões heterogêneas que parecem multiplicar uma única viagem em muitas.

Dias 1,2 e 3 – rodamos cerca de 200km em três dias em Brasília. O mais longo trajeto foi o do museu do Catetinho com 65km entre ida e volta. Dentre os vários passeios que fizemos destaco os seguintes:

– a superquadra SQS 308 projetada por Sérgio Rocha e Marcelo Graça Couto em 1959. Aproveite e visite a “Igrejinha” de Nossa Senhora de Fátima e as SQS 107 e 108, todos projetados por Oscar Niemeyer e a cinco minutos de caminhada. Para matar a fome sugiro o restaurante Xique Xique, onde se come uma boa carne de sol. De sua varanda, cercada por jardins, é possível ver a “Igrejinha” do outro lado da Avenida;

– O Quartel General do Exército e a Praça dos Cristais formam um dos mais belos conjuntos da paisagem brasiliense. Aqui temos o encontro de três nomes de ponta da cultura brasileira: Oscar Niemeyer, autor da Cúpula da Espada de Caxias, João Filgueiras Lima, o Lelé, autor do projeto dos edifícios administrativos e Roberto Burle Marx responsável pelo paisagismo da Praça dos Cristais;

-Visita guiada ao Palácio do Itamaraty. Conhecer o interior deste que é um dos principais pontos de interesse de Brasília é uma experiência fascinante. Além dos belíssimos espaços internos onde Niemeyer contou com a colaboração de Athos Bulcão, Burle Marx, Rubem Valentim, Bruno Giorgi e Milton Ramos, o edifício abriga uma belíssima coleção de objetos artísticos e históricos de qualidade. A mesa onde a Princesa Isabel assinou a lei Áurea é um deles. Tudo isto devidamente apresentado e ilustrado pelos comentários precisos de membros do corpo diplomático brasileiro.

– Passeio noturno pelo Eixo Monumental. Os principais monumentos de Brasília são iluminados à noite. Eles ganham especial graça quando suas silhuetas são contrapostas ao fundo negro da noite.

 Dia  4 – É hora de ir para a estrada rumo à Chapada dos Veadeiros. Na Chapada existem três cidades com estrutura para receber turistas: Cavalcante, Alto Paraíso de Goiás e São Jorge que é um distrito da anterior. Optamos pela última pois esta é a mais próxima da entrada do Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros. São Jorge fica a 255 km  de distância de Brasília, percurso que foi percorrido com muita tranquilidade após pouco mais de três horas de viagem. O tráfego é pesado ao sair de Brasília pela BR 010, e a velocidade média fica nos 60 km/h. Após Planaltina tudo fica bem mais tranquilo. O asfalto está em bom estado e o trecho entre Alto Paraíso e São Jorge foi concluído no final do ano passado.

 Dia  5 – São Jorge é um lugar muito simples e pequeno, cujas ruas ainda não foram asfaltadas. O distrito é carente de serviços como bancos ou posto de gasolina, e sempre que se precisa de um destes serviços é necessário percorrer os 26,5 km até a cidade de Alto Paraíso. A estrada além de nova e segura, possui uma paisagem arrebatadora, especialmente nos finais de tarde. Neste primeiro dia pela Chapada fomos ao Vale da Lua, uma formação geológica muito bonita e com bons pontos para um banho de rio de águas verdes. O ingresso custa R$ 20,00 por pessoa. Depois visitamos o Jardim de Maytreia que fica junto ao 20 km da estrada. Um conjunto de Buritis se destaca no amplo descampado e, ao fundo se vêem as formações rochosas da Chapada, inclusive o Morro da Baleia. À tarde fomos até a Cachoeira dos Cristais em Alto Paraíso, de fácil acesso tanto para o carro quanto à pé. Desça os 400 metros de trilha de uma vez e depois suba calmamente parando nas diversas quedas d’água que compõem a Cachoeira. No final, o Bar do local serve pastéis e bebidas bem geladas que podem ser degustadas diante do belo vale. Bom passeio para fazer com crianças. O ingresso custa R$ 15,00 por pessoa. No jantar, de volta à São Jorge, fomos ao Santo Cerrado Risoteria Café que é diferente dos restaurantes da região. A Arquitetura caprichada, com a estrutura toda em madeira aparente, a varanda no piso superior, o mobiliário cheio de caráter e as luzes das velas do salão, definem o ambiente. Os risotos, em especial aqueles com ingredientes regionais, são muito originais e saborosos. Para beber, existem cervejas artesanais feitas na Chapada. É ótimo!

 Dia  6 – Dia dedicado à trilha dos Cânions no Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros. São 12km entre ida e volta, de caminhada forte. O Cânion é mais fácil de visitar na época de seca (maio – outubro). Na mesma trilha é possível visitar a Cachoeira Carioca, que possui um poço onde se pode tomar banho. A grande dificuldade é o acesso, que exige esforço e boa condição física. Apesar disto, este é um passeio imperdível.

Dia  7 – Depois da cansativa trilha do dia anterior optamos por passeios mais leves. Fomos a Raizama e Vale das Pedras. Raizama fica próximo à São Jorge e possui muitas Cachoeiras e Cânions com acesso por pequena trilha. Não precisa chegar muito cedo, pois os cânions são profundos e bate pouco sol. Os locais para banho são bons e, em no máximo três horas, você consegue visitar todo o conjunto. Depois saímos de Raizama e continuamos pelo caminho de acesso à BR, só que para o outro lado. Nossa próxima parada foi o Vale das Pedras. Apesar do caminho de terra acidentado, conseguimos percorrer os cerca de 5 km com um carro 1.0. No Vale das Pedras existe um bom restaurante com comida caseira, cujo principal destaque é o Tambaqui, produzido ali mesmo. É uma boa alternativa para o almoço, sem ter que voltar para São Jorge. À noite jantar na ótima pizzaria Papa Lua em São Jorge.

Dia  8 – Dia de voltar para a estrada, agora desde São Jorge até Pirenópolis. Existe um caminho inteiramente asfaltado através de Brasília. Contudo como já conhecíamos boa parte do caminho, optamos por outro roteiro através das cidades de Colinas do Sul e Niquelândia. Já na saída de São Jorge tivemos que enfrentar 19 km de terra pela GO-239. A estrada é boa e permite manter um ritmo de viagem ao redor dos 40km/h. A paisagem é belíssima. O asfalto retorna antes da chegada a Colinas do Sul, onde tomamos a GO-132 no sentido de Niquelândia.  53km depois de nossa partida, reencontramos um trecho de terra com 24km de extensão. A estrada tinha as mesmas características do trecho entre São Jorge e Colinas e tudo foi tranquilo. Voltamos ao asfalto e após completarmos 90 km de viagem (desde São Jorge) entramos à direita na rotatório do trevo na GO-237. 28 km depois chegamos à Niquelândia onde almoçamos um lanche no centro da cidade. Tomamos a BR-414 até chegarmos ao trevo de Corumbá de Goiás, no qual entramos à direita na Rua da Bagagem até o trevo  da GO-225, onde novamente entramos à direita para o último trecho. Depois de 336 km e quase seis horas, chegamos à Pirenópolis.

Paisagem entre São Jorge e Colinas do Sul

Paisagem entre São Jorge e Colinas do Sul

Dia  9 – Pirenópolis é uma cidade histórica muito elegante e sofisticada. Mas ainda tínhamos pique para mais cachoeiras. E a região é cheia de opções. Depois de consultarmos guias da região, resolvemos visitar a cachoeira do  Abade. Ali foi um dos primeiros lugares ocupados pela mineração de ouro e hoje é uma propriedade privada muito bem equipada para receber visitante. As trilhas são quase que inteiramente calçadas, e possuem sinalização que informa sofre a fauna, a flora e as formações geológicas do local. As cachoeiras são muito bonitas e recomendamos o circuito completo no qual se podem visitar quatro cachoeiras. O local oferece restaurante com uma boa comida goiana e linda vista para o  Vale. À tarde voltamos para a cidade de Pirenópolis, e nossa primeira parada foi no simpaticíssimo Pé Di Café, um ótimo local  para tomar café acompanhado de bons doces.  Além disto ele fica em um dos mais encantadores espaços da cidade, a Rua Aurora. Toda arborizada, com calçadas que configuram um belo jardim linear, ela propicia uma experiência rara dentre as cidades brasileiras. No alto, a rua termina na Praça Bonfim onde fica a Igreja de Nosso Senhor do Bonfim, de 1754. Outro espaço incrível é Praça da Matriz cujo monumento mais significativo é a Igreja de Nossa Senhora do Rosário, de 1732. No mesmo endereço fica o restaurante Villa Lounge Bistro, um restaurante de ambiente impecável que ocupa o amplo quintal de uma das mais antigas casas da cidade.

 Dia  10 – É dia de estrada, com destino à Cidade de Goiás. Saímos pela GO 338 com a ideia de pegarmos a BR 070. Porém não encontrei o trevo e passei batido. Claro a sinalização da GO 338 é praticamente inexiste, mas eu também não fiz um bom plano de viagem e não marquei a distância de Pirenópolis até o trevo da BR 070 (12 km).  Conclusão, cheguei ao Distrito de Malhador onde o asfalto acaba. Ali me orientaram a seguir pelo trecho de terra da GO 338 até a GO 080, onde nos reencontraríamos com o asfalto. O trecho de terra foi bem complicado, pois além do piso esburacado, com bancos de areia, ainda tivemos que atravessar as obras de asfaltamento da GO 338, cheia de desvios e sem sinalização. 24 km depois chegávamos à GO 080. Entramos à esquerda no sentido da cidade de Jaraguá, onde visitamos a Igreja do Rosário dos Pretos, cuja construção, presume-se, seja do início do século XIX. De Jaraguá partimos para a Cidade de Itaguaru, por meio da GO 427. Em Itaguaru mudamos para a GO 154 até Itaguari onde, finalmente, pegamos a BR 070 até a Cidade de Goiás. Chegamos à cidade no início da noite, à tempo de comermos uma pizza na Praça da Liberdade, com mesas na rua, bem em frente à Igreja da Boa Morte.

 Dia  11 – A Cidade de Goiás possui um impressionante conjunto arquitetônico urbanístico, tombado pela UNESCO em 2001. Caminhar pelas suas ruas é a melhor maneira de conhecê-la. Para aproveitarmos o sol baixo e o clima ameno, fomos até a Igreja de Santa Bárbara, construída em 1780. Seu outeiro se localiza em uma das partes mais altas da cidade e permite uma bela vista de Goiás e da Serra Dourada ao fundo. Na volta para o Centro passamos  pela Rua da Abadia, excepcional conjunto urbano. Predominantemente marcado pelo casario térreo, seu perfil é entrecortado por sobrados e pela Igreja de Nossa Senhora da Abadia, de 1790. A Rua termina no Largo da Igreja do Rosário de onde parte, a Rua Dom Candido que segue em direção à Praça Liberdade. Ao lado da ponte sobre o Rio Vermelho está o museu Cora Coralina, antiga residência da poetisa. O museu ocupa o casarão construído em 1780, e conserva a casa tal e qual Cora a deixou. Na praça da Liberdade são vários os edifícios de relevo: A Igreja de Nossa Senhora da Boa Morte, o Palácio dos Arcos, antiga sede do Governo  de Goiás, e a Igreja da Matriz. Duas outras igrejas merecem ser visitadas: a Igreja de São Francisco de Paula, de 1761, e a Igreja de Nossa Senhora do Carmo, de 1786, cujo interior, em planta hexagonal, é bastante sofisticado.  Outro espaço interessante na cidade é o Largo do Chafariz, nele estão outras importantes construções do século XVIII: a Casa de Câmara e Cadeia, de 1761, o Chafariz de Cauda da Boa Morte, de 1778, e Quartel do XX, de 1747. Goiás também possui belos exemplos de arquitetura do século XIX e início do XX, como o Mercado Municipal, e o Palácio da Instrução de 1928.  Em 1930 a Cidade deixou de ser a capital do Estado de Goiás após sua transferência para Goiânia. Para comer recomendo dois restaurantes localizados no centro histórico: o Dali Sabor e Arte e o Flor do Ipê ambos com culinária goiana.

 Dia  12 – Depois de mais uma manhã percorrendo as ruas de Goiás, voltamos para a BR 070, agora com destino à Goiânia. A estrada está em fase de duplicação, mas percorremos o trecho todo com muita tranquilidade. Ao chegarmos à capital do Estado almoçamos no restaurante Carne de Sol, um verdadeiro acontecimento social. No final de tarde passeio pelo Bosque dos Buritis.

Dia  13 – Logo após o café da manhã saímos para o último dia de viagem. Voltamos para Brasília pela BR 060, uma confortável estrada de pista dupla que permite percorrer os 210 km que separam as duas cidades em cerca de três horas. Fizemos uma rápida parada para um café na cidade de Abadiânia,  e chegamos à Brasília à tempo para o almoço. No final da tarde, devolvemos o carro e embarcamos no excelente Aeroporto Juscelino Kubitschek.

Fim de uma viagem surpreendente.

Sobre Marcos O. Costa

Arquiteto Urbanista formado pela FAU Mackenzie com mestrado em estruturas ambientais urbanas pela FAUUSP. Associado à Borelli & Merigo, onde desenvolve projetos nas áreas de edificações e urbanismo. É professor da FAAP e da Escola São Paulo. A publicidade exposta neste Blog é de responsabilidade da Wordpress
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