O mundo dos pernas de pau

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http://pernasdepaus.blogspot.com.br

Em 2015 parei de ver futebol. Às razões expostas no texto abaixo, acrescento a porcaria de futebol praticado pelo mundo afora e, mui especialmente, no Brasil. Hoje, craques de araque só servem para vender bugigangas. Na hora do jogo, nada, nada e ainda nada.  Eles se preocupam apenas em verificar a qualidade de suas respectivas imagens, estampadas nos telões de alta tecnologia dos estádios padrão FIFA.

A grana concentra a pouca qualidade disponível em seis equipes, todas em apenas quatro países da Europa: Espanha, Inglaterra, França  e Alemanha (os dois últimos possuem uma única equipe cada). No próximo sábado, na final da Liga dos Campeões da Europa, veremos uma partida entre o Barcelona e a Juventus de Turim. O time italiano possui um orçamento que é quase a metade dos catalães (€279,4 x €484,6).

Pouco pode ser excluído deste quadro medíocre: os notáveis goleiros contemporâneos, Xavi, Iniesta, Pirlo e o brilhante Lionel Messi. E mesmo assim, este deve ao mundo uma Copa do Mundo digna de seu gigantesco talento.

Vale a pena ler o texto da Deutsche Welle.

Parem de ver futebol!

Postado em 28 de maio de 2015
Por Alexander Andreev, da Deutsche Welle

Solução pode parecer radical, mas, diante da corrupção, da violência e da funesta conexão entre o esporte e a política, é mais do que sensata, opina o ex-torcedor Alexander Andreev, chefe da redação búlgara da DW.

Alexander Andreev, editor-chefe da redação búlgara da DW

Dez anos atrás eu deixei de assistir a jogos de futebol, apesar de sempre ter gostado. Já naquela época, o sistema do “futebol profissional” era asqueroso, e eu me sentia enojado.

Nem é necessário enumerar os motivos, eles são tantos: a máquina de dinheiro, alimentada por direitos de transmissão e licenciamento, por publicidade, patrocínios, ingressos e artigos para torcedores, mas também por casas de apostas ilegais e pelas transferências por valores astronômicos dos jogadores. E – como está mais claro do que nunca nestes últimos dias – no fim das contas isso tudo gera uma corrupção monstruosa.

Acrescente-se a violência excessiva nos estádios e no caminho até eles; os excessos etílicos nos dias de partidas; o vandalismo nos trens e ônibus de torcedores, nas estações e nos pontos; os hooligans e os ultras, com seu racismo e sua homofobia.

E aí há a funesta conexão entre o futebol profissional e a política em muitos países, quando ambos lucram mutuamente. E – por último, mas não menos importante – o questionável patriotismo da mão-no-peito, assim como a pressão social para que todos cantem o hino nacional.

Eu mesmo joguei futebol num clube, e por anos a fio fui fascinado por esse esporte fantástico. Posso compreender perfeitamente que bilhões de homens e mulheres deem tudo pelo futebol, que a alegria antecipada pela próxima partida da sua liga favorita os ajude a atravessar a semana. E nem todos os torcedores são, de forma alguma, hooligans, racistas ou nacionalistas propensos à violência.

Pelo contrário: em sua maioria eles são cidadãos totalmente normais, simpáticos e decentes. Também políticos e escritores, empresários e filósofos, astros e estrelas de todo o mundo são fãs declarados desse esporte.

Eles todos não só tornam o sistema “futebol profissional” socialmente aceitável, como o elevam à categoria de vaca sagrada, que ninguém pode atacar. Justamente pelo fato de o futebol entusiasmar as massas, por ser um esporte democrático e não elitista, porque para chutar o couro não é preciso gastar uma fortuna em equipamento. E, afinal, porque também é bonito de se ver. Diante de tudo isso, ninguém quer ser o estraga-prazeres.

Só que nós não só podemos, como devemos ser! À primeira vista, assistir a jogos de futebol é a ocupação mais inofensiva deste mundo. A pessoa é envolvida pela complexidade e beleza do jogo, vibra com o “seu” time e, ao mesmo tempo, esquece o dia a dia – enfim, relaxa.

Mas, com isso, o espectador inconscientemente vira cúmplice de um sistema que só sobrevive por que as Copas do Mundo mantêm um público de bilhões colado à televisão, assistindo à propaganda e acompanhando o esticado bla-bla-blá dos especialistas, comprando ingressos, figurinhas, camisetas e mais um monte de bugigangas.

Parar de sustentar voluntariamente esse sistema é uma decisão sensata e mais do que urgente. Pode soar irrealista ou arrogante: mas cada um que diz “não” ao futebol está contribuindo para um mundo melhor! Mesmo que a grande maioria das pessoas se recuse a reconhecê-lo, apesar dos últimos acontecimentos.

Reforçando: futebol é ótimo quando se joga no fim de semana, com as crianças ou com velhos amigos. E esse esporte poderia reencontrar suas raízes se nós o jogássemos ativamente, em vez de ficar só olhando na televisão, de cerveja e batata frita na mão. Por isso, minha gente: parem de ver futebol!

Sobre Marcos O. Costa

Arquiteto Urbanista formado pela FAU Mackenzie com mestrado em estruturas ambientais urbanas pela FAUUSP. Associado à Borelli & Merigo, onde desenvolve projetos nas áreas de edificações e urbanismo. É professor da FAAP e da Escola São Paulo. A publicidade exposta neste Blog é de responsabilidade da Wordpress
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2 respostas para O mundo dos pernas de pau

  1. Mara Liz Ferrentini disse:

    Concordo na totalidade de seu comentário. Enquanto não entendermos que temos a força financeira e o comando desses abusos são nossos, não nos veremos livres de tramóias dessa natureza. Faço do seu post uma reivindicação para pensarmos nos demais descomedimentos ocorridos. Engana-se o que pensa que uma andorinha não faz verão…

  2. carmenguerreiro disse:

    Sensacional, hein? Explicou exatamente por que eu desisti do futebol.

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