São Paulo precisa de calçadas mais largas e arborizadas

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As manifestações de Junho de 2013  refletiram o desejo de parte da população por melhores e mais amplos espaços públicos. A própria ocupação da Av. Paulista por milhares de pessoas refletia, em parte, este desejo. A calçada é o principal elemento do espaço público: ela é local de circulação, de lazer, de encontro, de trabalho e está presente por toda a cidade.

Contudo as calçadas paulistanas são muitas vezes acanhadas, ou mesmo inexistentes. Consequentemente elas não conseguem desempenhar de forma adequada o seu papel urbano. Poucas possuem equipamentos urbanos como lixeiras, bancos, ou iluminação de qualidade. Diminuindo o espaço dedicado ao carro seria possível implementar um programa de qualificação e ampliação das calçadas.

Existe variedade de tipologias de calçadas. Em Barcelona, por exemplo, encontramos soluções originais como as Ramblas. Trata-se de uma calçada que ocupa o centro da via e que, dada a sua continuidade, acaba por se configurar como verdadeira praça linear.

O processo de transformação é sempre muito complexo: divergências políticas, custos e mesmo o desconforto gerado pelas obras são obstáculos que devem ser superados. Cito duas cidades que podem nos servir de inspiração.

Uma é Bogotá, cujo perfil político, econômico e social é muito semelhante ao nosso. Ela passa por uma transformação radical que levou ao fechamento de uma das principais vias da cidade a Calle 26, que liga o Centro ao aeroporto. Outra é Nova York, que fechou duas quadras da Broadway, junto à Times Square. Antes que os recursos para obra fossem obtidos, a rua foi fechada, seu piso pintado e foi colocado mobiliário urbano em caráter provisório. A obra definitiva foi inaugurada no final do ano passado, cerca três anos após o fechamento da via.

A arborização urbana em São Paulo é precária. Poucas são as ruas arborizadas e não foram adotados critérios claros para o plantio de espécies. Uma mesma rua pode ter diversos tipos de portes de árvores. Nas calçadas há pouco espaço para as raízes respirarem. Atualmente existe uma legislação específica que regula a arborização na cidade. Há calçadas tão estreitas que não permitem o plantio de árvores.

Novas soluções de calçadas devem ser elaboradas de modo a permitir um amplo programa de plantio de árvores por toda a cidade. Os benefícios seriam muitos. A melhora na qualidade da paisagem urbana e do ar seria imediata. O clima também seria modificado gradativamente. A sombra produzida pelas árvores e a evapotranspiração aumentam a umidade do ar e baixam as temperaturas. Isto diminui a intensidade das pancadas de chuvas, responsáveis pelas enchentes. Além disto uma árvore pode absorver cerca de 70% das precipitações.

Esquina das Ruas Carmo Fernandes e Henri Duparc no Jd. Cocaia

Esquina das Ruas Carmo Fernandes e Henri Duparc no Jd. Cocaia

 

 

 

Sobre Marcos O. Costa

Arquiteto Urbanista formado pela FAU Mackenzie com mestrado em estruturas ambientais urbanas pela FAUUSP. Associado à Borelli & Merigo, onde desenvolve projetos nas áreas de edificações e urbanismo. É professor da FAAP e da Escola São Paulo. A publicidade exposta neste Blog é de responsabilidade da Wordpress
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