Boom norteamericano muda o comércio mundial de petróleo

Phys Org

por Jonathan Fahey

tradução: Marcos O. Costa

O aumento da produção de petróleo nos EUA e Canadá, e a diminuição do consumo no mundo desenvolvido estão transformando o mercado mundial de petróleo. A ameaça de escassez crônica de petróleo não existe mais, e a dependência dos EUA em relação ao petróleo do Oriente Médio continuará a diminuir. Ao longo dos próximos de cinco anos, cada vez mais o petróleo irá fluir para as economias em desenvolvimento da Ásia, de acordo com relatório publicado pela Agência Internacional de Energia.

As mudanças terão “consequências significativas para a economia global e para a segurança do fornecimento de petróleo”, diz a AIE (Agência Internacional de Energia, com sede em Paris, e que serve 28 países importadores de petróleo, incluindo os EUA).

O relatório, apresentado no início de maio, pinta o retrato de um mundo com abundância de petróleo capaz de atender à crescente demanda. A origem do óleo, e o seu destino, estão mudando dramaticamente, de acordo com a AIE.

O relatório não aborda diretamente os preços do petróleo, mas os analistas não esperam que a mudança dinâmica do mercado de petróleo possa levar a uma forte baixa dos preços do petróleo ou da gasolina. No entanto, a abundância de petróleo reduz significativamente o risco de altas prolongadas de preço.

O principal impulso para a mudança do mundo do petróleo é o aumento da produção dos EUA. Os EUA criaram o mercado mundial de petróleo, há mais de um século, e é o maior consumidor do mundo. Mas imaginava-se que a produção nacional estaria em declínio permanente. Foi quando perfuradores, inspirados pelos preços elevados e armados com a melhoria da tecnologia, aprenderam a produzir petróleo a partir do Xisto.

A produção dos EUA chegou a 7,4 milhões de barris por dia no início deste mês, 48% superior à produção média de 2008 e o melhor resultado desde fevereiro de 1992. A AIE espera que a produção dos EUA chegue a 9,1 milhões de barris por dia até 2018. Os EUA não produzem um volume como este desde 1972.

A produção também deverá aumentar no Canadá e em outros países das Américas, como o Brasil e a Colômbia. Ao mesmo tempo, a demanda de petróleo nos EUA e outras nações desenvolvidas deverá cair ligeiramente, resultado da melhoria da eficiência dos veículos e do crescimento econômico fraco. Isso significa que os EUA serão capazes de satisfazer a maioria das suas próprias necessidades com a produção doméstica de petróleo e de seus vizinhos, o que poderia ter implicações geopolíticas.

“Isso vai afetar as relações entre os países. A maioria dos líderes acredita que tem que ser agradável com seus fornecedores de petróleo”, diz Michael Levi, um especialista em energia do Conselho de Relações Exteriores e autor de um livro recente sobre o boom de energia dos EUA chamado “The Power Surge”.

As importações de petróleo dos EUA caíram 22 por cento, desde o seu recorde no meio da década passada.

Com a menor demanda Ocidental e a maior produção nas Américas, muito menos petróleo fluirá desde o Oriente Médio para a Europa e Estados Unidos. Em vez disso, o petróleo do Oriente Médio seguirá para a Ásia e, provavelmente, reforçará os laços econômicos e políticos entre as duas regiões.

No entanto, Levi adverte que não se deve superestimar os benefícios políticos e econômicos da queda das importações dos EUA. Isto porque o mercado de petróleo é global, e uma hipotética interrupção no fornecimento do Oriente Médio iria elevar os preços em todo o mundo, inclusive nos EUA. Mesmo que os americanos não importassem nem mais uma gota de petróleo daquela região. Por essa razão, os EUA ainda precisam ajudar a manter a estabilidade no Oriente Médio.

As fontes no Oriente Médio também irão mudar. A capacidade de produção do Iraque deve crescer rapidamente, passando de 1,6 milhões de barris por dia para 4,8 milhões de barris por dia até 2018. Enquanto isso, a capacidade do Irã deverá diminuir em 1 milhão de barris por dia, passando para 2,4 milhões de barris por dia, como resultado das sanções ocidentais impostas aos mercados financeiro e petrolífero do país. A Arábia Saudita vai continuar a dominar a produção na região.

Devido à instabilidade política e a dificuldade em atrair investimentos para novos campos de petróleo, outros membros da OPEP, como a Venezuela e os países africanos, deverão lutar para manter suas posições atuais.

Em breve, a OPEP poderá enfrentar dificuldades caso novos fornecimentos, provenientes de países não-membros, empurrem os preços para baixo. O grupo restringe a produção dos seus membros, a fim de manter os preços globais de petróleo em alta. Nos últimos anos, os preços têm sido altos, e mesmo assim os países membros conseguiram produzir recordes de produção. Porém se os preços caírem, os membros poderão ser convidados a cortar a produção, em um momento em que os países precisam desesperadamente de receitas do petróleo para financiar programas domésticos.

“A pressão sobre a OPEP será colocada em marcha”, diz Judith Dwarkin, economista chefe da ITG Investment Research.

Não está claro se os preços vão cair, ou quando isto poderá ocorrer. O novo óleo das Américas é caro para ser produzido pois é encontrado em locais de difícil acesso: no mar profundo, preso nas areias de petróleo, ou em rocha. Preços mais baixos forçariam os perfuradores a abandonar suas novas, e caras, fontes de petróleo. Ou haveria um aumento do risco para aqueles que continuassem a exploração. Este processo reduziria os suprimentos e traria como consequencia novas pressões de alta. Analistas dizem que, se os preços caírem abaixo dos US $ 70 por barril por um período prolongado, o investimento em novos projetos mais caros irá abrandar.

O preço médio do petróleo tem sido notavelmente estável ao longo dos últimos três anos. O preço do petróleo foi, em média, de US $ 95 por barril em 2011, $ 94 em 2012 e $ 94 até agora neste ano. Isto manteve o preço médio da gasolina nos Estados Unidos em um patamar relativamente estável, entre os $ 3,51 e os $ 3,63 dólares por galão, ao longo dos últimos três anos. O relatório teve pouco efeito sobre os mercados de petróleo, que fecharam com uma que da menos de um por cento, pouco acima dos US $ 94 por barril.

Dwarkin espera que o preço do petróleo fique próximo dos $ 90 o barril, pelo menos nos próximos dois anos.

A demanda por petróleo está mudando tanto quanto a oferta de petróleo. Em breve, e pela primeira vez na história, o grupo dos países em desenvolvimento consumirá mais petróleo do que os países desenvolvidos, de acordo com a AIE.

O Oriente Médio e a Ásia vão precisar de mais petróleo, pois suas economias crescem. Ao mesmo tempo, aqueles que historicamente foram os grandes consumidores de petróleo, EUA, Europa e Japão, vão usar menos óleo. No geral, a demanda global deverá subir 1,2% ao ano nos próximos cinco anos.

Enquanto o relatório da AIE não aborda o mercado de petróleo depois de 2018, ela sugere que as tecnologias que ajudaram a promover um boom na produção de petróleo nos EUA, acabarão por ajudar outros países a produzir mais petróleo.

“É impossível ignorar a possibilidade de que as atuais tecnologias não-convencionais, ao se disseminarem e aperfeiçoarem, poderiam levar a uma reavaliação do tamanho das reservas mundiais”, diz o relatório

Sobre Marcos O. Costa

Arquiteto Urbanista formado pela FAU Mackenzie com mestrado em estruturas ambientais urbanas pela FAUUSP. Associado à Borelli & Merigo, onde desenvolve projetos nas áreas de edificações e urbanismo. É professor da FAAP e da Escola São Paulo. A publicidade exposta neste Blog é de responsabilidade da Wordpress
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