O que fazer em Salvador… um roteiro

Alexandre Conceição é da Bahia e por ela perdidamente apaixonado. De tanto ter que responder aos amigos a respeito de sua amada Salvador, ele resolveu escrever o roteiro apresentado a seguir:

Por  Alexandre Henrique de Freitas Conceição

 

  1. RESTAURANTES
  • Restaurante Yemanjá – para mim é o melhor restaurante de comida baiana de todos. Tradicionalíssimo e muito estiloso. Era uma casa de pescadores que foi transformada, e transformada, e transformada, e hoje é um excelente local para se comer a famosa moqueca de camarão, de siri mole, e a mariscada. Os pratos são para duas ou três pessoas. No caso da mariscada (uma mistura de todos os frutos do mar) comem até 5 pessoas. Todos os pratos poder ser com leite de coco e dendê, apenas leite de coco, ou sem leite de coco e sem dendê. Portanto todos terão o que comer lá. Preços salgados, mas na divisão não fica caro.

  • Mignon– um restaurante a quilo no bairro da Graça. É caro, mas a comida é fantástica. Especialmente ás sextas feiras que tem o melhor vatapá de Salvador, com camarões enormes e uma moqueca de ostras que você não vai comer em nenhum outro lugar. Só na minha casa, claro. Ele fica atrás do Bradesco da Graça (única agência no bairro).

  • Pereira – apesar de ser um bar e restaurante italiano, o local é maravilhoso. Para os que não sabem, a primeira vila de portugueses no Brasil, logo que chegaram aqui, se chamava Vila do Pereira. Mas o Pereira foi massacrado pelos índios e expulso da região. Seu barco naufragou ainda na costa brasileira e todos morreram. O nome do bar é em sua homenagem. Mas a comida é maravilhosa. Os drinks fantásticos. Tudo é caro.

  • Pelourinho– não é uma boa opção comer lá. Tem restaurantes ótimos, mas não tem sido um lugar agradável recentemente devido ao abandono.

  • Mercado Modelo– nem pensem em comer lá. Comida cara, mal preparada. Demora uma vida e meia para chegar. Muito barulho e moscas. PORÉM, nos botecos que ficam no fundo vocês podem tomar uma cerveja gelada, uma cachaça ou uma batida com os peões e homens do cais do porto e comer a melhor agulhinha frita de Salvador. Eu particularmente adoro porque é fresquinha.

  • Pier Bahia Marina– são excelentes restaurantes, caros e freqüentados pela elite social baiana. Tem um japa com piso de vidro que dá pra ver a água do mar.

  • Líder– fica no Largo 2 de Julho, um bairro no centro que é bem antigo também. Eles tem um serviço meio português, o local é muito bonito, é barato e tem os PFs tradicionais baianos. Tem tira gostos locais como pititinga (peixe muito pequeno), carne do sol, agulhinha, arrumadinho e por aí vai. Eu adoro esse lugar, mas melhor durante o dia se estiver caminhando pelo centro da cidade.

  • 2. BARES

      • O melhor local para bares é o Jardim Brasil, na Barra. São vários e muito legais.
      • O Rio Vermelho tem uma infinidade de opções, mas a grande atração é o antigo mercado do peixe que virou um aglomerado de kioskes que vendem cerveja, batidas, cachaça e comidas típicas. Fica no Largo da Mariquita.
      • Os bares das praias de Salvador foram todos destruídos pelo governo no último Setembro, por imposição da Marinha e do Ibama. A partir de Lauro de Freitas, onde fica o aeroporto, é possível se encontrar bares na praia e saborear as delícias praianas nordestinas. Nós soteropolitanos não gostamos muito por ser a maior área de lazer de todos. Agora temos pessoas vendo coisas pela praia e com isopores grandes, incluindo na Barra, mas lá sempre foi assim por falta de espaço físico.
      • Pereira – veja acima.
      • Líder – veja acima.
      • 3. ACARAJÉS

        Normalmente os acarajés são vendidos de terça a sábado de acordo com os preceitos do Candomblé. Apesar de hoje em dia isso ter mudado um pouco. Mas a característica maior de ser uma comida para o fim de tarde continua. Em muitos locais, os melhores e alguns famosos, as filas costumam ser longas. Tenham paciência porque, se seguirem meus conselhos, vocês vão se deliciar.

        Não saiam comendo acarajés e abarás desvairadamente. Muitos são ruins, alguns são de um dia para o outro, e em geral o vatapá não é verdadeiro. Vocês correm o risco de uma diarréia.

        • O melhor acarajé de todos é o de Cira. Ela fica em Itapoã, na praça de Itapoã, logo no começo, antes do farol, mas tem uma filha no Largo da Mariquita, no Rio Vermelho. O acarajé da filha apesar de ser a mesma massa, não tem o mesmo glamour de estar em Itapoã. Mas geralmente como no Rio Vermelho por ser mais perto.

        • O segundo melhor acarajé em minha opinião é o da Regi. Regina, o verdadeiro nome, fica na Graça, em frente da Igreja da Vitória, mas precisamente em frente ao McDonald’s da Graça. Ela também tem alguém no Rio Vermelho, mas neste caso aconselho a ir para a Graça por estar mais perto dos locais que indico. O abará dela é nota 10. O acarajé é 100. Ela também tem coca e cerveja no local.

        • Outro que gosto muito é um que fica na esquina da Avenida Sete com a Rua Politeama de Baixo. É ao lado do Campo Grande. Conheço-a desde quando começou no final dos anos 70. Ela ainda se lembra de mim, apesar de me ter dito um dia que eu estava um pouco mais velho e gordo. Adorei o comentário. Estou mesmo!

        • Outro acarajé fica no mesmo corredor da Vitória, esquina com o Campo Grande. Conheço-a desde que era adolescente e estudava inglês no ACBEU. Ela também se lembra de mim. A massa do abará dela é macia e saborosa. Seu acarajé é bem tradicional, como no passado.

        • No centro histórico tem apenas um acarajé que é muito bom também. Fica na Praça José Arcanjo, a maior das três praças de shows. Ela também só chega no final da tarde.

        • Atrás do Shopping Barra tem uma pracinha que tem um acarajé maravilhoso. É o da Keka. Ali se chama Jardim Brasil e é cheio de locais para beber e comer. Melhor à noite.

        3. Terreiros de Candomblé

        Visitar um terreiro de candomblé não é tarefa fácil em Salvador. Eles são muito rígidos. Qualquer um que receba turistas, não é considerado tradicional.

        No Pelourinho tem um balé folclórico de altíssima qualidade. Ele viaja o mundo inteiro e é realmente muito bonito. Tem todos os dias e acho que é sempre às 20h. Teatro Miguel Santana, 

        Pelourinho, Salvador – Bahia / Tel: (71) 3322-1962 / de segunda-feira a sábado, às 20h e considero imperdível. www.balefolcloricadabahia.com.br

      • 4. Museus

      • Museu Afro-brasileiro no Pelourinho – Terreiro de Jesus – Centro Histórico. A influência africana em Salvador, a religião Candomblé, e em especial o trabalho de Carybé, um painel em madeira com os Orixás. .

      • Museu de Arte Sacra – Rua do Sodré 276, Dois de Julho. Arte religiosa brasileira. Um museu belíssimo, não só pelas obras de arte, mas pelo local, um antigo convento com um prédio dos mais belos de Salvador.
      •  
      • Museu Carlos Costa Pinto – Avenida Sete de Setembro nº 2490 – Corredor da Vitória. 

    Um museu bem peculiar que mostra uma casa do período colonial em Salvador. Em especial não só o mobiliário, mas as joias da família. Mais atenção às joias usadas pelas escravas quando em trabalho nas casas. 

    • Museu de Arte Moderna – MAM – Solar do Unhão (só de táxi). Projeto do Arquiteto Lina Bo Bardi
    • Museu de Arte da Bahia – Avenida Sete de Setembro nº 2340 – Corredor da Vitória.
    • 5. Igrejas Católicas 
    • São importantes não apenas pela beleza arquitetônica, mas principalmente pela riqueza artística dos seus interiores. Quase todas têm um museu no seu interior.
      1. Igreja e Ordem Terceira do São Francisco – Centro histórico – IMPORTANTÍSSIMO. A mais bela igreja do Brasil. Estilo Barroco.
      2. Igreja do São Bento
      3. Igreja do Bonfim – Bairro da Ribeira
      4. Igreja e Ordem Terceira do Carmo – Centro histórico
      5. Igreja do Rosário dos Pretos – Ladeira do Pelourinho – Centro histórico

       

       
      6. O que comer – coisas típicas da Bahia e da cultura afro-brasileira.

    • Acarajé – vende-se nas ruas, as mulheres que se chamam baianas de acarajé.
    • Abará – também na baianas de acarajé.
    • Carne do sol – carne de boi acompanhado de farofa e aimpim/mandioca cozida ou frita.
    • Caldo de sururu – um tipo de sopa feita com uma ostra bem pequena.
    • Lambreta – uma pequena ostra do nordeste do Brasil.
    • Cocada – doce feito com coco e muito açúcar. Tem vários tipos e a cor diferencia.
    • Bolo de tapioca – um bolo doce feito com uma farinha especial da mandioca.
    • Moqueca de peixe com camarão – o melhor peixe é o vermelho ou o badejo. Se colocar camarão fica mais gostoso. É um prato feito na hora com cebola, tomate e pimentão, além de outras coisas. MUITO bom.
    • Mariscada – uma moqueca feita com vários fritos do mar – peixe, camarão, lagosta, ostra, lula e polvo. Tem leite de coco e dendê, além de temperos frescos.
    • Moqueca de siri catado – é o siri (crab) do mar, sem a casca e com temperos frescos.
    • Moqueca de siri mole – é quando o siri está mudando a casca dura – ele fica com uma pele fininha e vem inteiro. – é muito especial e não se encontra em qualquer lugar.
    • Moqueca de ostra – forte, mas excelente. Vale a pena.
    • Molho lambão – CUIDADO, é com pimenta. Não é o molho vinagrete….
    • Cozido – um ensopado com carnes e uma variedade grande de legumes.

       
      7. O que beber

    • Suco de frutas locais – cajá, mangaba, umbu, siriguela.
    • Caipiroskas com as frutas locais – feito com vodka. A única nacional boa é a Smirnoff.
    • Caipirinha de caju – experimente a cachaça com caju. Só no nordeste do Brasil é fácil beber.

       

       

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Sobre Marcos O. Costa

Arquiteto Urbanista formado pela FAU Mackenzie com mestrado em estruturas ambientais urbanas pela FAUUSP. Associado à Borelli & Merigo, onde desenvolve projetos nas áreas de edificações e urbanismo. É professor da FAAP e da Escola São Paulo. A publicidade exposta neste Blog é de responsabilidade da Wordpress
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Uma resposta para O que fazer em Salvador… um roteiro

  1. Alexandre Henrique F Conceição disse:

    Realmente sou apaixonado pela minha Bahia e suas histórias. Atualmente desenvolvo um trabalho sobre a obra de Carybé. Mas preciso me atualizar um pouco para deixa-los ‘por dentro’ do que tem mudado por lá. Mas lembre-se, verão na Bahia é muito bom.

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