Acordão para enterrar CPI. Vaccarezza escreveu epitáfio

por Bob Fernandes

A CPI começava e dissemos que uma investigação pode, ou não, acabar em pizza. Outras CPIs não terminaram no forno. Para lembrar: Collor se viu obrigado a renunciar no rastro de uma CPI e, em breve, o chamado Mensalão será julgado. Foi a CPI do Mensalão que produziu 38 réus. Se eles são culpados ou inocentes é o Supremo Tribunal Federal (STF) que decidirá. Portanto, a CPI, em 2005, cumpriu sua função.

Essa CPI de agora, a do Cachoeira e do Demóstenes, só escapará de um fim grotesco se surgirem novas revelações, e muito explosivas. Essa CPI já tem até um epitáfio. Nestes tempos eletrônicos, o epitáfio foi gravado não numa lápide, mas num celular.

A frase entrou para a história:

– A relação com o PMDB vai azedar na CPI. Mas não se preocupe, você é nosso e nós somos teu.

Como sabemos, esse foi um recado do deputado Cândido Vaccarezza para o governador Sérgio Cabral. Vaccarezza, ex-líder do governo na Câmara e integrante da CPI.

A CPI, que nasceu na busca das articulações criminosas feitas via celular, pode morrer, ou renascer, por conta dessa mensagem – via celular –  do Vaccarezza . O que a frase explica é muito simples: está em andamento o ensaio de um acordão. Esse acordo é amplíssimo e pode ser resumido assim: vocês não pegam os nossos e nós não pegamos os seus.

Vamos recordar: o que a CPI deveria fazer? A CPI deveria investigar a empreiteira Delta e suas ramificações. A Delta tem bilhões em obras em 21 estados. Leia-se 21 governos estaduais, e governadores. A Delta disputou e ganhou licitações de bilhões em obras do PAC. Leia-se do governo federal.

O dono da Delta, Fernando Cavendish, era corpo, champanhe e guardanapos com o governador do Rio, Sérgio Cabral. Cabral é do PMDB. Cabral deve, ou deveria ser investigado pela CPI. O Cachoeira e o Demóstenes são telefone e casa com o governador de Goiás, o Perillo, do PSDB. Perillo deve, ou deveria ser investigado pela CPI.

Da mesma forma deve, ou deveria ser investigado o governador Agnelo, do PT de Brasília. Se vazou e se noticiou que a CPI investigaria também as obras de ampliação da Marginal do Rio Tietê. Obras do tempo do governo José Serra em São Paulo.

Percebam que tudo isso começa a ser esquecido. Já sumiu do noticiário. Sinal de que os acordos avançam na CPI.

Os acordos avançam porque nenhum dos grandes partidos sairia dessa sem se queimar. Se o acordão de fato for fechado, daqui a pouco virá a farsa seguinte: a da disputa sobre “Quem Matou a CPI”.

Restará para os otários, nós todos, esse ridículo debate. E o histórico epitáfio: “Você é nosso, nós somos teu”.

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Sobre Marcos O. Costa

Arquiteto Urbanista formado pela FAU Mackenzie com mestrado em estruturas ambientais urbanas pela FAUUSP. Associado à Borelli & Merigo, onde desenvolve projetos nas áreas de edificações e urbanismo. É professor da FAAP e da Escola São Paulo. A publicidade exposta neste Blog é de responsabilidade da Wordpress
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