A balneabilidade em Guarujá

Olhar Praiano

por

Praia de Pitangueiras, Guarujá.
Foto: Folha.com.

A notícia é preocupante. Apesar do sol e do calor dos últimos dias, segundo dados da Cetesb, 70% das praias de Guarujá não estão próprias para banho. A notícia, que pode ser lida aqui, saiu no site da Folha de São Paulo, segundo o qual as praias do município estariam “contaminadas”. Trata-se de um escorregão, pois contaminação não é sinônimo de perda de balneabilidade.
De qualquer forma, a notícia é muito grave para um município com pretensões turísticas. Segundo a fonte, apenas Tombo e Pernambuco, dentre as praias monitoradas, estão 100% balneáveis. Mas acessando o site da Cetesb vejo que parte da Enseada e Pitangueiras, também.
Mesmo assim é muito pouco, se compararmos com a situação de Santos, cujo total das praias está balneável.
A explicação, segundo a notícia, que se baseia em dados da Cetesb, aponta para a má cobertura do sistema de saneamento e para a poluição difusa. Segundo o site, “apesar de existir uma rede oficial de esgoto passando sob as ruas, 37% das residências ainda não fizeram a conexão ao sistema oficial”.
De fato, como já mencionei neste blog várias vezes, o esforço da Sabesp em reverter a péssima situação do saneamento nos municípios litorâneos, por meio do programa Onda Limpa,.esbarra numa questão de ordem econômica. Ao fazer a ligação do imóvel à rede oficial, o responsável paga o custo da ligação e passa a pagar a conta em dobro.
Por isso o governo estadual lançou, no início do ano, o programa  “Se liga na rede”, que subsidia o custo das ligações. Contudo, o aumento na conta não está equacionado para a maioria dos responsáveis por imóveis alcançados pelas melhorias no sistema.
Outra questão muito séria é que a Sabesp não conecta à rede imóveis em assentamentos precários, situados em áreas em que restrições ambientais levam o Ministério Público a pressionar os municípios para impedir o aumento da ocupação. Nesta situação, em cidades como o Guarujá, existem milhares de domicílios, para os quais os projetos de urbanização e de provisão habitacional são lentos e insuficientes.
Portanto, é necessário enfrentar estas duas questões para devolver a balneabilidade ao Guarujá e demais municípios litorâneos, além da poluição difusa, é claro.
Este é o nó a desatar, se a qualidade de vida em nosso litoral estiver mesmo sendo priorizada.

Sobre Marcos O. Costa

Arquiteto Urbanista formado pela FAU Mackenzie com mestrado em estruturas ambientais urbanas pela FAUUSP. Associado à Borelli & Merigo, onde desenvolve projetos nas áreas de edificações e urbanismo. É professor da FAAP e da Escola São Paulo. A publicidade exposta neste Blog é de responsabilidade da Wordpress
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