A Pataquada da Semana é de Newt Gringrich

Paulo Nogueira

Ele representa o declínio americano

 

Queimar exemplares do Corão? No Afeganistão? E, se não bastasse, deixar que a queima se tornasse conhecida?

É quase inacreditável que isso tenha acontecido. Mas aconteceu. E foi obra logo de quem – dos localmente abominados americanos estacionados numa base militar.

A reação foi a previsível. Manifestações furiosas contra os americanos no Afeganistão. Pedradas e gritos de “morte aos americanos”, além das declarações de fé total, cega, fanática em Maomé e Alá. Fundamentalismo versus fundamentalismo. (Veja cenas num vídeo colocado no pé deste artigo.)

Calcula-se, até aqui, dez mortes, duas delas de soldados americanos.

E então vemos a insanidade que reina nos Estados Unidos. Obama pediu, inutilmente, desculpa aos afegãos, que responderam que palavras não bastam – é necessário que os culpados sejam submetidos ao tribunal.

E entra em cena Newt Gringrich, candidato a ser o adversário republicano  de Obama, e consegue tornar piores coisas que já eram suficientemente ruins. Gringrich – aquele que pedia o impeachment de Clinton por copular com uma estagiária enquanto ele próprio, casado, dormia secretamente com uma mulher que poderia ser sua filha – critica Obama pelo pedido de desculpa.

O quê?

Segundo Gringrich, os afegãos é que deveriam se desculpar aos americanos pela morte dos dois soldados.

Se seguirmos a esquisóide lógica de Gringrich, os afegãos deveriam pedir perdão aos Estados Unidos por causa de tudo que os americanos levaram ao Afeganistão – miséria, destruição, mortes. Devastação generalizada. O horror. Enfim, o clássico pacote americano no Oriente Médio.

Por isso, é de Newt Gringrich, o típico americano, em cuja personalidade você pode ver com clareza as raízes do declínio dos Estados Unidos, é de Gringrich, repito, a Pataquada da Semana. Nele você constata o acerto de uma máxima do intelectual britânico Samuel Johnson: o patrotismo é o último refúgio do canalha.

Obama se revelou um presidente espetacularmente medíocre e impotente. De novo, levou para a Casa Branca apenas a cor — e esperanças infelizmente  irrealizadas. Mas, ainda assim, é melhor que a oposição republicana. A tão louvada democracia americana terminou nisso — numa plutocracia militarista em que se revezam no poder dois partidos iguais no conteúdo e ligeiramente diferentes na forma. Ambos são alinhados com o “1%” privilegiado como a nobreza francesa pré-1789, e de costas voltadas para os “99%” ou, já que estamos na França revolucionária, com o Terceiro Estado, mais conhecido como o resto.

 

Sobre Marcos O. Costa

Arquiteto Urbanista formado pela FAU Mackenzie com mestrado em estruturas ambientais urbanas pela FAUUSP. Associado à Borelli & Merigo, onde desenvolve projetos nas áreas de edificações e urbanismo. É professor da FAAP e da Escola São Paulo. A publicidade exposta neste Blog é de responsabilidade da Wordpress
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