Um projeto urbano para São Paulo?

Brasilianas <!–

 
Autor: 
Nádia Somek

Introdução

O Processo de urbanização de São Paulo produziu um modelo urbano sem urbanidade. O resultado disso se traduz na constatação do Ministério das Cidades de que metade da população urbana vive em condições precárias em favelas, cortiços e loteamentos irregulares ou clandestinos. As transformações recentes da indústria, a reestruturação produtiva trouxe para as nossas cidades a convivência  de velhos e novos problemas.Além disso deixou áreas vazias , bem equipadas, ampliando o processo de expansão e conseqüente dilapidação dos recursos naturais

Os velhos problemas, ainda sem solução de um Estado de bem estar não implementado no Brasil, notadamente a questão habitacional entendida sem conceito mais amplo,   convivem com os novos: precarização do trabalho ou desemprego, o esvaziamento de áreas vinculadas ao antigo processo de produção, ou ainda a violência crescente advinda de processos globais do crime organizado.Além disso a estrutura administrativa dos municípios brasileiros fragmenta encobrindo as verdadeiras relações sociais de desenvolvimento do capital que  assumem dimensões megametropolitanas. Paul Virillo na exposição Terra Natal (2009) denomina a expansão predominante dessas relações sociais de omnimetropolização.

 

É louvável a busca da atual administração de propor novos editais para a elaboração de Projetos Urbanos nas áreas definidas como Operações Urbanas pelo Plano Diretor Estratégico, em processo de Revisão.Observamos ainda que 24,3% da área urbanizada do Município de São Paulo foi designado como área para OU.As críticas recorrentes a nossa experiência aponta que basicamente, as OU ,foram elaboradas para financiar transformações do sistema viário, ou seja espaço público voltado apenas para o automóvel, nem todas tem conselho gestor que permite uma maior transparência e participação e, finalmente não havia projeto urbano definido para cada operação,portanto essa iniciativa supera uma das críticas recorrentes.Entretanto constatamos que as áreas dos projetos urbanos de 1500ha a 2100ha são muito extensas em comparação com outros exemplos e ainda,constatamos a falta de um modelo claro que tem no projeto Nova Luz, um balão de ensaio,que permita a elaboração de um projeto adequado para as necessidades da nossa cidade.

Embora concordemos que o potencial existente de áreas em transformação em SP, definam uma série de projetos urbanos possíveis, colocamos a pergunta: como poderemos elaborar esses projetos com a necessária preocupação com o desenvolvimento metropolitano,sustentabilidade e inclusão social. Existe na experiência internacional de projetos urbanos de implementação estas preocupações?  Quais os critérios que podem constituir elementos efetivos de redução do aquecimento do planeta, de desigualdades e de efetiva inclusão social?Apresentamos a seguir alguns elementos da experiência internacional e algumas recomendações decorrentes desta reflexão para a construção coletiva de um modelo de projeto urbano para a cidade de São Paulo.

A Experiência Internacional em Projetos Urbanos

A noção de Projetos Urbanos é ampla e necessita de conceituação adequada, podemos avançar que constituem-se em obras emblemáticas envolvendo grandes obras de infra-estrutura ou operações urbanas, adotam ainda a forma de programas de intervenção concretizados em um conjunto de ações que, por sua integração, têm um impacto profundo no desenvolvimento da cidade.  Assumem também a forma de recuperação ou regeneração de áreas industriais, portuárias, ferroviárias, centros históricos ou centralidades vinculadas a modos de produção ou transporte para ampliação da mobilidade urbana.

Representam iniciativas de renovação urbana concentradas em investimentos e intervenções que seguem um plano urbanístico, podendo se apoiar no redesenho do espaço urbano, em normas  legais especificas e em novas articulações institucionais e formas de gestão. Inicialmente em Projetos Urbanos a qualidade espacial e urbanística eram tidos como um dos trunfos de garantia de sucesso das iniciativas de renovação, redefinindo a hierarquia urbana em favor da região antes degradada, assim como a visualidade impactante, a imagem de (pós) modernidade, e a grife de um arquiteto conhecido garantiram uma cartada de peso na grande arena estratégica: a mídia. (P.ROBERTS e H.SYKES, 2006).

Na medida em que passaram a integrar a agenda das grandes cidades no final do século, o modelo foi se sofisticando, ao mesmo tempo, em que a competição entre cidades na disputa pelos investimentos voláteis no novo processo de financeirização mundial foi se acentuando.  Assim, o projeto urbano se  tornou uma estratégia de intervenção, já que o planejamento urbano tradicional e seus instrumentos não atendem mais às necessidades existentes na recuperação dessas áreas. Em geral, o objetivo central desses programas passou a ser a promoção do crescimento econômico, ou seja, adquirir capacidade econômica local de proporcionar postos de trabalhos e gerar entradas tributárias capazes de cobrir o gasto de capital em infra-estrutura e serviços públicos que cabem ao Estado. Para isso, a maioria dos programas visa atrair novas atividades a partir de vantagens locacionais. (ROJAS; VILLAESCUSA; WEGELIN, 2003).

A experiência internacional de Projetos Urbanos aponta transformações na forma de realizá-los. Associam-se a idéia de Projetos Urbanos à reestruturação produtiva e as novas formulações estratégicas de gestão, bem como à crescente competição por investimentos internacionais. A partir dessa experiência internacional podemos inferir características que correspondem às práticas bem sucedidas, bem como às críticas a esses projetos que poderão referenciar novos caminhos. Se o nosso foco é a inclusão social deve-se ter em vista a pergunta: Quem ganha/ Quem perde? E ainda quais os critérios que representam uma efetiva inclusão social.
     
Analisando os casos de Bilbao, Buenos Aires, Londres, Milão, Paris e Washington, podemos apontar algumas recorrências norteadoras: em todos estes casos existe a perspectiva da longa duração. Em Washington, por exemplo, a Corporação para o Desenvolvimento da  Avenida Pensilvânia trabalhou com o horizonte de 25 anos,Projetos Urbanos devem ser pensados numa perspectiva de longa duração. A característica de misturas de  usos e de classes sociais, bem como a definição de uma entidade administrativa público-privada central para a gestão e implementação do projeto  de longa duração também  está presente, na maioria das experiências internacionais de projetos urbanos bem sucedidos. A mistura de classes sociais pode ser entendida como elemento de inclusão. Embora a participação do setor privado seja essencial, concordamos com Enrique Peñalosa (2008) ao afirmar que a coordenação deve ser pública, pois não é possível deixar aos empreendedores privados a responsabilidade do desenho da cidade. Somente o Poder Público pode resolver as questões de coordenação setorial com a perspectiva mais ampla do interesse coletivo em contraposição a interesses particulares. Portanto, se o nosso foco for a inclusão social, a liderança desses processos deve ser pública, tendo como parceiro primordial o setor privado com maior capacidade e flexibilidade para atuar em formas inovadoras de financiamento, execução e aporte de recursos.

O caso de Puerto Madero em Buenos Aires é emblemático para a nossa reflexão. Ele foi pensado há mais de oito décadas antes de ser iniciado por uma liderança nacional do presidente Menen. A área do Projeto era inteiramente de propriedade pública e seu resultado produziu um espaço da globalização que pretende colocar a cidade em conexão com as demais metrópoles mundiais.A crítica recorrente a este tipo de espaço global é a total desidentificação com a cidade tradicional.

Nas cidades do Terceiro Mundo, as agências multilaterais de financiamento também têm enfatizado as iniciativas de desenvolvimento local, que constituem um critério de inclusão, na medida em que correspondem a ideais de participação comunitária, e busca de geração de renda explorando potencial produtivo de cada região. Este é um elemento central de inclusão social desde que efetivamente procure vincular as novas atividades à busca de alternativas de trabalho e renda. A chamada economia criativa, que vem ocorrendo em Londres constitui-se na promoção de áreas de incentivo a micro e pequenas empresas, formando condomínios, hotéis e incubadoras.

A questão do desenvolvimento Sustentável também vem ganhando força nos discursos e nas ações decorrentes. Chama a atenção a tecnologia desenvolvida na descontaminação de antigas áreas industriais poluídas nas várias experiências analisadas, bem como de uma incipiente regulação a respeito de quem se encarrega desses custos. Na França uma legislação nacional atribui ao setor privado os encargos de despoluição; além da busca por uma cidade mais compacta, em detrimento da expansão e conseqüente dilapidação dos recursos naturais que vem levando a decisão de um adensamento com qualidade, possibilitado pelas novas formas de mobilidade, hoje objeto de planos específicos, com novas alternativas de transporte como o smartcar e as bicicletas (Paris). Ações de sustentabilidade, podem ser entendidas como inclusivas? Chama atenção no caso frances a busca do governo nacional de uma solução metropolitana para Paris voltada para a produção da cidade, compacta pós Kyoto e ações de sustentabilidade prevendo a redução de emissões de co2.

Paris, Milão, Londres e Bilbao definiram seus projetos dentro de uma perspectiva regional metropolitana de reconfiguração da estrutura produtiva, estimulando principalmente o terciário avançado internacional, porem com participação e ainda um desenvolvimento local baseado na economia criativa (Londres). O caso de Paris Rive Gauche, 130 ha,  coordenado pela SEMAPA (Societé d Économie Mixte de Paris),há mais de 20 anos, constituiu uma nova centralidade à leste de Paris, contrabalançando a centralidade de La Defense, que fica à oeste, atraindo 60.000 novos empregos. A população organizada em movimento tomou um antigo moinho impedindo sua destruição e com sua mobilização conseguiu ampliar o programa de 5000 para 7000 habitações de interesse social na área do projeto.

Bilbao elaborou planos de diversas escalas, antes de atribuir à RIA2000 a gestão estratégica do plano que implementou o Museu Gugenheim de Gehry, as estações de metrô de Norman Foster (que assina também as de Londres e Paris) e as pontes de Calatrava. Fez parte do plano também a estratégia de marketing para vender a cidade ao mundo do turismo de massa e qualificá-la à competição de capitais internacionais, longe portanto, da perspectiva de Inclusão Social. Londres no projeto Kings Cross (70Ha) em torno da estação do trem que liga Londres a Paris, apesar de coordenado pela iniciativa privada, preparou um programa misto, com participação da população e com propostas de construção de habitação popular (15%).

Nos anos 90 emerge a falsa contraposição entre Planos e Projetos Urbanos: a crise do Urbanismo Normativo que acompanha a cidade moderna leva a extrema valorização de uma gestão empresarial contrapondo planos, que seria mais inclusivos e projetos urbanos, mais excludentes, aliando a critica recorrente ao planejamento tradicional (inefetivo) e ao sucesso da experiência de Barcelona. Nesta experiência grandes Projetos Urbanos são os elementos que definem a construção da cidade metropolitana, que por sua vez deve construir seu Planejamento Estratégico baseado  na intercomunalidade, bem como numa concertação ampla. Assim, a crise do Urbanismo Normativo que acompanha a cidade moderna leva a extrema valorização de uma gestão empresarial contrapondo planos e projetos urbanos.

No bojo dessa visão a exclusão social inerente à disseminação do Neoliberalismo até a sua exacerbação que foi denominada por Neil Smith (2006) como a nova Estratégia Global de Gentrificação. Em Paris as antigas normativas das ZAC (Zones d´amenagement  concertes) estabelecem o ponto de partida legal para a elaboração das novas estratégias de gestão. Na maioria dos casos, exceto Paris, a valorização imobiliária e fundiária sem controle acirrou os processos de gentrificação.Como vimos,no caso  de Paris Rive Gauche o embate com a população permitiu a ampliação do número de habitações de interesse social e a “tomada” de um antigo moinho industrial como sede dessa mobilização, num conflito aberto em busca de inclusão.

Além disso, é essencial ao sucesso dos Projetos Urbanos a criação de novas centralidades vinculadas ao sistema de transporte: o sucesso de Canary Wharf aconteceu após a implantação de uma linha de metrô interligando a área ao centro de Londres. Ainda no caso de Londres, Kings Cross e área dos Jogos Olímpicos estão extremamente relacionados à implementação de infra-estrutura pesada de transporte de massa, (re)criando novas centralidades. No caso de Milão nas experiências do norte de Bovisa e Pirrelli La Biccoca viabilizou-se a interligação do centro com poucas paradas.

Especificamente em relação de Canary Wharf, uma primeira tentativa fracassada tornou-se um projeto bem sucedido com o novo povoamento e investimentos públicos. Entretanto, o que se viu como resultado foi a formação de um gueto privado, controlado por uma polícia privada que permite a entrada e o uso do espaço “público” apenas por quem aparentemente interessa. Isso nos remete, novamente, a importância de uma coordenadoria efetivamente Pública para a obtenção de cidades reais, democráticas e não cidades muradas e excludentes.

Entretanto, passadas duas décadas de grandes projetos de renovação urbana inseridos nos cenários do planejamento estratégico, evidenciam-se os limites desse modelo no que se refere a algumas das questões cruciais que haviam motivado o recurso às novas abordagens urbanísticas. Além de passar ao largo das carências habitacionais, de infra-estrutura e de serviços sociais que continuam comprometendo as regiões metropolitanas, particularmente no Terceiro Mundo, estes projetos estratégicos apresentam paradoxos no que se refere aos problemas da integração econômica, do desemprego e do combate à exclusão social, sendo na esfera propriamente econômica, que comparecem algumas das principais limitações desse modelo. Vantagens e lucros encaixados nos fluxos financeiros internacionais não se revertem necessariamente em benefícios na esfera local. Ganhos fiscais, que poderiam significar um benefício a longo prazo, muitas vezes são objeto de renúncia como parte da estratégia para atrair investimentos. Sem arrecadação suficiente, a municipalidade acaba arcando com os ônus referentes à reprodução da força de trabalho não-qualificada, cujos serviços apóiam as atividades ostentadas pelos novos pólos terciários.

Assim, podemos, dizer que neste modelo em que são assumidos como diretrizes no desenho das intervenções urbanas fatores que se caracterizam pela produção privada do espaço, aproveitamento imobiliários, enfoques pontuais, agilidade, flexibilidade, afinação com as demandas do mercado, os grandes projetos de renovação urbana acabam exacerbando tendências vigentes na urbanização contemporânea. Nos países periféricos, ainda, em que tais princípios já prevalecem tradicionalmente na transformação e construção da cidade, torna-se mais difícil canalizar tais forças para um projeto específico.

De qualquer maneira, permanece sem resposta a questão primordial que motivou tais empreendimentos: a geração de opções sustentáveis para a recuperação do emprego, da atividade e da arrecadação em cidades e regiões industriais que sofrem os efeitos da reestruturação econômica. Se o modelo dos grandes projetos urbanos estratégicos mostra sinais de esgotamento nesse sentido, qual seria a alternativa? Entre os muitos caminhos em discussão, é possível identificar, ao longo da última década, a emergência de iniciativas menos ambiciosas de renovação urbana, voltadas aos interesses e perspectivas de cada localidade, que podemos denominar Projetos Urbanos de Desenvolvimento Local.

Um exemplo bem sucedido é o caso de Sesto San Giovani (norte de Milão) onde a prefeitura, tradicionalmente comunista, conseguiu negociar a transformação de 70% de sua área esvaziada de atividades siderúrgicas em micro e pequenas empresas, apoiada pelos sindicatos de trabalhadores, transformados em pequenos empreendedores. Isto permitiu o povoamento de parte do quadro construído que se constituía de Patrimônio Histórico, bem como a utilização das grandes e antigas plantas industriais.

Esta operação foi possível dentro de uma perspectiva de transformação do município, em território de inovação dentro de um projeto urbano global, que previa a descontaminação do solo, a implantação de  espaços públicos de qualidade, bem como a capacitação profissional voltada para as novas necessidades da produção. (SOMEKH e CAMPOS, 2001). Além disso, como no caso francês a questão metropolitana se baseou no princípio de intercomunicalidade, através da associação de municípios, no caso de Sesto San Giovani existe um Consórcio municipal e outro que inclui a cidade de Milão, para o projeto Pirelli La Bicocca.Neste projeto, como em todas as demais experiências relatadas a arquitetura contemporânea se alia a preservação do Patrimônio histórico que define identidades no atual mundo globalizado.

Enquanto prioridade nas novas políticas urbanas, o desenvolvimento local pode ser compreendido de diversas maneiras. De um lado, liga-se à esfera econômica, sendo medido pela evolução do quadro produtivo local, pela geração de emprego e renda no seio das comunidades, pelo acréscimo da autonomia fiscal dos governos locais, e pela diversificação e dinamização de atividades econômicas  que tenham impacto em termos de integração das populações marginalizadas. Em termos sociais, liga-se à busca da inclusão de diferentes setores populares, em um quadro de crescimento e evolução econômica. Combatem-se os efeitos excludentes da nova ordem mundial com linhas de ação, programas e projetos que tirem proveito das especificidades e potencialidades de cada região, sempre partindo dos interesses da população local.

No que se refere às articulações administrativas e institucionais, o desenvolvimento local está ligado ao conceito de governança, como medida de capacidade de gestão compartilhada entre diversos agentes. Mesmo que, por vezes, menos atraentes do ponto de vista urbanístico, para não dizer imobiliário, tais enfoques pareçam ser mais eficazes para solucionar os problemas sofridos por cidades tradicionalmente dependentes do setor secundário.

As intervenções fragmentadas apresentam, na experiência internacional, capacidade de modificação mais controlada das variáveis de transformação do ambiente construído. A conclusão equivocada é a defesa de projetos urbanos pontuais em detrimento dos planos e da regulação global da cidade. Um tipo de ação não exclui a outra. E, ainda, em realidades de extrema pobreza e desigualdades sociais, os planos globais servem para definir prioridades, além de estabelecer uma ordem de intervenção relacionando os projetos de recuperação mais necessários e estratégicos para a cidade como um todo.

Uma nova metodologia de planejamento entende que este é composto por três momentos que interagem de forma que se complementem: plano, projeto e estratégia municipal. Tornando possível a articulação de diferentes escalas de intervenção. Assim, o novo papel dos programas de intervenção compõe-se não só da tradução operativa e de projetos das estratégias urbanas, como também avaliar as operações de montagem institucional e financeira das intervenções e torna-se particularmente importante  no processo de decisões das transformações do território. O planejamento global, que antecede as intervenções pontuais dos Projetos Urbanos, tornou-se particularmente importante quando trata-se de um programa de recuperação urbana que objetiva transformar a tendência do crescimento de uma área, sendo essencial para avaliar as vantagens e oportunidades de desenvolvimento oferecidas por áreas obsoletas ou degradadas. Nestes casos, os programas urbanos devem definir não apenas um conjunto de ações e medidas coerentes para a área, como devem estabelecer medidas que promovam mudanças baseadas na dinâmica econômica, social e física da área e de seu entorno. Além disso projetos urbanos que privilegiem um espaço público  de qualidade também podem ser considerados inclusivos na medida em que valorizem a cidadania.

Elementos para projetos urbanos em São Paulo

Concordamos que São Paulo deve estar conectada à rede mundial de cidades globais, mas deve também reparar seu passivo social, principalmente voltado á questão habitacional.Por outro lado entendemos que os projetos urbanos no Brasil carecem de um modelo que atenda as necessidades reais das nossas cidades.

A Política de desenvolvimento econômico não se ancora no território e nas regiões metropolitanas, vimos na experiência internacional que todos os Projetos Urbanos decorrem de um Planejamento metropolitano contrapondo se a falsa oposição entre Planos e Projetos Urbanos.

Alem disso é necessária uma entidade administrativa para a implementação dos Projetos que em todos os casos relatados são de longa duração e tem dimensões menores do que está sendo propostos pala Prefeitura.Como vimos leva se décadas para transformar áreas em torno de 130Ha (Paris Rive Gauche) a 170 Ha (Puerto Madero), em contraposição a proposta da PMSP de 1500ha a 2100ha. Não será possível ter fôlego para essas dimensões,mas será possível priorizar áreas e etapas claras de implantação dos PU.

Ações de sustentabilidade e até construções mais ecológicas devem ser previstas na busca de uma cidade compacta com ma mobilidade e menos consumidora de recursos naturais.O patrimônio Histórico poderá ser preservado dentro de uma perspectiva contemporânea e valorizadora da identidade paulistana.

E finalmente as grandes desigualdades existentes na cidade poderão ser reduzidas com projetos Urbanos que produzam habitações e espaços públicos de qualidade tornando nossa cidade mais bonita ,sustentável democrática e inclusiva.

* Nádia Somekh é professora titular da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Mackenzie, ex-presidente da Emurb de São Paulo (Empresa Municipal de Urbanismo), ex-secretária de Desenvolvimento Econômico de Santo André e conselheira do CONPRESP – Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico da Cidade de São Paulo.

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Sobre Marcos O. Costa

Arquiteto Urbanista formado pela FAU Mackenzie com mestrado em estruturas ambientais urbanas pela FAUUSP. Associado à Borelli & Merigo, onde desenvolve projetos nas áreas de edificações e urbanismo. É professor da FAAP e da Escola São Paulo. A publicidade exposta neste Blog é de responsabilidade da Wordpress
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