Higienópolis já sente a invasão de ‘craqueiros’

Diário de São Paulo

Circulação de usuários de drogas e de moradores de rua aumentou com o fim da Cracolândia, no Centro

Silvério Morais  silverio.morais@diariosp.com.br

Aos poucos, a população de Higienópolis, no distrito da Consolação, vê aumentar  o número de usuários de drogas e moradores de rua a perambular pelo mais nobre bairro do Centro. Para os moradores, a “invasão” é reflexo da ação que a Polícia Militar iniciou há três semanas para acabar com o tráfico e uso de entorpecentes na Cracolândia, na região da Luz. Em Higienópolis, o DIÁRIO flagrou pessoas dormindo nas calçadas das ruas Maranhão, Barão de Tatuí, Itápolis, Alameda Barros e até no Parque Buenos Aires.

“Muitos craqueiros já subiram e ficam dia e noite por aqui”, diz o cabeleireiro Ronaldo dos Santos, de 50 anos, funcionário de um salão na Barão de Tatuí. Ele fala que o sentimento de insegurança aumenta a cada dia. Dois “pivetes”, conta, entraram no estabelecimento e roubaram R$ 300. Uma moradora, que preferiu não se identificar, não sai mais com joias e relógio pelas ruas do bairro para não chamar a atenção. Ela afirma que a presença de usuários aumentou depois de a Cracolância ser ocupada pela PM.

O consultor de informática Luiz Torchio, de 56, mora em Santa Cecília e vai a pé para o trabalho em Higienópolis. Ele também está mais inseguro nos últimos dias, quando passou a ver mais “noias” na região. A comerciante Haissa Santiago, de 24, evita sair à noite, quando a presença de drogados é maior. “Muitos pedem dinheiro nos semáforos”, diz.

Segundo o capitão Carlos Sanches, da Comunicação da PM,  o policiamento foi reforçado em todo o Centro. “Sempre que o tráfico migra, vai ficando mais fraco, que é nosso objetivo”, observa.  “Ao notarem  ação suspeita, as pessoas devem ligar para o 190”, diz. A Secretaria Municipal de Saúde informa que os agentes do Programa Saúde nas Ruas prestam serviço na região, mas não podem obrigá-los a deixarem as ruas.

Tendas vão atender dependentes químicos
A operação da PM e da Prefeitura  na Cracolândia começou em 3 de janeiro,  com  o objetivo de  retirar os usuários de drogas das ruas, reprimir o tráfico e encaminhar os doentes para tratamento.

Quatro tendas serão instaladas na região para o atendimento de dependentes químicos. Desde o início da ação, pelo menos 113 pessoas foram internadas e  mais de 565 foram encaminhadas para serviços de saúde e tratamento.

154 
pessoas foram presas na região desde  3 de janeiro

Problemas são o trânsito e pontos de alagamento
Na  Operação Bairro a Bairro desta segunda-feira, o DIÁRIO foi até a Consolação, Centro. Trânsito e alagamentos foram as principais reclamações.  “Quando chove alaga em frente ao ponto da Angélica, 1.489. O Parque Buenos Aires não tem drenagem e escorre tudo”, disse o jornaleiro Roberto Soares. A Subprefeitura da Sé informou que vai fazer uma vistoria no local.


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Sobre Marcos O. Costa

Arquiteto Urbanista formado pela FAU Mackenzie com mestrado em estruturas ambientais urbanas pela FAUUSP. Associado à Borelli & Merigo, onde desenvolve projetos nas áreas de edificações e urbanismo. É professor da FAAP e da Escola São Paulo. A publicidade exposta neste Blog é de responsabilidade da Wordpress
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