A exploração de menores na cadeia produtiva da Apple

Luis Nassif Online

Por Glauber

Do Business Insider

O custo humano de iPads e iPhones

Título original: Your iPhone Was Built, In Part, By 13 Year-Olds Working 16 Hours A Day For 70 Cents An Hour

Por: Henry Blodget

Todos nós adoramos iPhones e iPads.

Todos nós adoramos os preços dos nossos iPhones e iPads [isso nos EUA].

E todos nós admiramos o super-ultra-lucro da Apple [isso, suponho, nos EUA], o fabricante de nossos iPhones e iPads.

É por isso que é estranho perceber que os baixos preços de nossos iPhones e iPads – e o super-ultra-lucro da Apple – somente são possíveis porque nossos iPhones e iPads são fabricados com práticas trabalhistas que seriam ilegais nos Estados Unidos.

também estranho perceber que os colegas que fazem nossos iPhones e iPads não apenas não possuem iPhones e iPadsiPhone (porque não podem comprar), como, em alguns casos, nunca viram um iPhone ou iPad.

Esta é uma questao complicada. Mas também importante. E vai se tornando mais importante a medida que a economia mundial se torna cada vez mais entrelaçada.

Semana passada, a NPR [uma rádio pública americana] fez um especial sobre a linha de produção da Apple. O programa apresentou (entre outros) o relato de Mike Daisey, o apresentador que faz o programa “The Agony and Ecstasy of Steve Jobs”, e o Nicholas Kristof do New York Times, cuja esposa é da China.

Você pode ler um transcrito do programa inteiro aqui (http://www.thisamericanlife.org/radio-archives/episode/454/transcript). Alguns detalhes apresentados no programa:

– A cidade chinesa de Shenzhen é onde a maioria dos nossos “brinquedinhos” são fabricados. Há 30 anos, Shenzhen era uma pequena vila a beira de um rio. Hoje é uma cidade de 13 milhões de pessoas – maior que Nova York.

– A Foxconn, uma das empresas que fabrica os iPhones e iPads (e também produtos para muitas outras empresas), possui uma fábrica em Shenzhen que emprega 430.000 pessoas.

– Existem 20 cafeterias na Foxconn de Shenzen. Cada uma delas serve 10.000 pessoas.

– Um trabalhador da Foxconn que Mike Daisey entrevistou, do lado de fora dos portões da fábrica controlados por guardas armados, foi uma garota de 13 anos. Ela fazia o polimento da tela de milhares de iPhones e iPads por dia.

– A adolescente disse que a Foxconn na verdade não checa a idade. De vez em quando ocorrem inspeções, mas a Foxconn sempre sabe quando elas irão ocorrer. E antes que os inspetores cheguem, a Foxconn apenas substitui os trabalhadores jovens pelos mais velhos.

– Nas primeiras duas horas fora dos portões da fábrica, Daisey encontrou trabalhadores que dizem ter 14, 13 e 12 anos de idade (junto com vários outros trabalhadores mais velhos). Daisey estima que em torno de 5% dos trabalhadores com quem ele conversou são menores.

– Daisey assume que a Apple, obcecada com os detalhes, deve ter conhecimento disto. Ou, se não, deve ser porque não quer saber.

– Daisey visita outras fábricas de Shenzhen, como potencial cliente. Ele descobre que a maioria dos andares térreos da fábrica são salas amplas com 20.000-30.000 trabalhadores. As salas são silenciosas: não há maquinaria e não há conversa. Quando o trabalho custa tão pouco, não há motivo para construir nada que não seja com as mãos.

– A hora de um trabalhador chinês tem 60 minutos – diferente da “hora” americana, que geralmente inclui Facebook, banheiro, uma chama telefonica e alguma conversa. O dia de trabalho oficial na China tem 8 horas, mas a jornada padrão é de 12 horas. Geralmente, essas jornadas se extendem por 14-16 horas, especialmente quando há um novo aparelho para ser montado. Enquanto Daisey estava em Shenzhen, um trabalhador da Foxconn morreu após trabalhar uma jornada de 34 horas.

– As linhas de montagem se movem na mesma velocidade que o trabalhador mais lento, então todos os trabalhadores são vigiados (com câmeras). Maioria das pessoas fica em pé.

– Os trabalhadores ficam em dormitórios. Numa área de 12-por-12, Daisey conta 15 camas, empilhadas até o teto. Um americano médio não caberia nelas.

– Os sindicatos são ilegais na China. Qualquer um que tente a sindicalização é preso.

– Daisey entevista vários antigos trabalhadores que estão secretamente apoiando um sindicato. Um grupo falou sobre o uso de hexano, uma substância usada para limpar a tela do iPhone. O hexano evapora mais rápido que os outros solventes, o que permite que a linha de produção ande mais rápido. O hexano é também neurotóxico. As mãos dos trabalhadores que contam isso para ele se agitam freneticamente.

– Alguns trabalhadores não podem mais trabalhar porque suas mãos ficaram comprometidas ao realizar a mesma tarefa centenas de milhares de vezes ao longo dos anos.

– Um homem teve sua mão machucada numa prensa de metal na Foxconn. A Foxconn não forneceu assistência médica. Quando a mão melhorou, ele não podia trabalhar. Foi então demitido pela Foxconn.

– Este homen, a propósito, fazia as capas de metal dos iPads na Foxconn. Daisey mostrou a ele seu iPad. O homem nunca tinha visto um antes. Daisey entregou o iPad pra ele brincar, que então disse: isso é “mágico”.

Sobre Marcos O. Costa

Arquiteto Urbanista formado pela FAU Mackenzie com mestrado em estruturas ambientais urbanas pela FAUUSP. Associado à Borelli & Merigo, onde desenvolve projetos nas áreas de edificações e urbanismo. É professor da FAAP e da Escola São Paulo. A publicidade exposta neste Blog é de responsabilidade da Wordpress
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