A questão de 2012 é a democracia

Vamos Combinar

Paulo Moreira Leite

 

A grande questão que 2011 deixou para 2012 foi a democracia. Você pode pensar na primavera árabe, mas essa é a forma limitada e fácil de enxergar o problema.

A quesão democrática também se colocou nos Estados Unidos e na Europa, onde
a crise econômica derrubou diversos governos mas ainda não respondeu à
pergunta mais importante: como se pretende reconstruir o mundo desenvolvido
depois da pior crise em 80 anos?
Nos paises árabes, ditaduras que pareciam eternas vieram abaixo. O que se
debate, no momento, é a capacidade das sociedades locais constituirem
instituições capazes de assegurar um regime de liberdade e direitos que marcam
as democracias modernas.
Na Europa e nos Estados, a questão da democracia também se coloca, mas de
outra forma.
O problema é definir como as sociedades contemporâneas podem defender-se
diante da força descontrolada do poder econômico, daquilo que se costuma
identificar como “mercados” mas que são grandes empresas e corporações
gigantescas que controlam a distribuição do dinheiro, do crédito e outras formas de
riqueza no mundo inteiro.
A origem de movimentos como Ocupar Wall Street, nos Estados Unidos, ou os
protestos dos Indignados, na Espanha, e ações semelhantes, encontra-se nesta
situação.
Tanto a lenta e insegura recuperação americana, como a paralisia europeia, que
tem contornos irracionais e até suicidas, foram produzidas por um mesmo fator. A
imensa capacidade do poder econômico em impor suas soluções e seus
interessses sobre o conjunto de uma sociedade que quer emprego,
desenvolvimento e consumo, tem meios tecnologicos para obter o que deseja –
mas é obrigada a engolir austeridade, recessão e redução no padrão de vida.
O espetáculo de governos europeus que foram derrubados em função da crise tem
uma mesma causa: a rejeição, por parte do eleitor, de políticas de austeridade.
A questão é que, em todos os casos, até agora ocorreu aquela clássica situação
em que tudo muda para que nada mude.
A Italia livrou-se de um primeiro ministro desmoralizado, substituído por um
tecnocrata da confiança dos fanáticos do mercado.
Na Grécia, que entrou num processo de regressão histórica, um primeiro ministro
foi derrubado pelo parlamento porque teve a idéia de submeter os programas de
austeridade a um referendo nacional. (Detalhe: Papandreou, o ministro, era a favor
dos programas. Só achava que seria mais proveitoso arrancar apoio da população
às medidas de sacrifício a que será submetida).
Na Espanha, um governo social-democrata foi expelido do Palácio porque
abandonou seus compromissos de defender o bem-estar da população, em
especial dos mais pobres e dos trabalhadores. Mas foi substituido por um governo
conservador, que anuncia medidas iguais, até um pouco mais duras.
Nos Estados Unidos, Barack Obama pagará o preço, numa eleição presidencial
dificílima, por ter realizado uma política tímida para tirar o país da crise. Para dar
uma versão resumida da situação: Obama foi capaz de aprovar diversos
programas de estímulo, mas não foi capaz de impor compromissos de crescimento
às instituições financeiras que embolsaram os recursos oferecidos pelo governo. O
resultado é uma meia-recuperação. O país não entra em recessão mas também
não cresce de verdade. Nesse ambiente, o Estado americano foi tomado de
assalto pelos fanáticos do mercado. Eles estrangularam o governo Obama e
ameaçam impedir qualquer recuperação.

E o Brasil? Eu acho que a democracia conquistada após o regime de 64 abriu possibilidades e garantias importantes. O debate sobre inflação não se transformou num opção pela austeridade, como se pretendia no início do ano.  É preciso respeitar os interesses do povo.

Mas ficaram questões no conflito entre o Supremo Tribunal Federal e o C0nselho Nacional de Justiça.  A população rejeita muitas deliberações que a Justiça considera naturais, como a aplicação da Ficha Limpa.

O eleitor se recusa a aceitar o desvio de verbas como natural, embora ele seja praticado há décadas, por vários governos.

Essa dificuldade do cidadão comum assegurar seus interesses e seus direitos será
o grande debate de 2012.

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Sobre Marcos O. Costa

Arquiteto Urbanista formado pela FAU Mackenzie com mestrado em estruturas ambientais urbanas pela FAUUSP. Associado à Borelli & Merigo, onde desenvolve projetos nas áreas de edificações e urbanismo. É professor da FAAP e da Escola São Paulo. A publicidade exposta neste Blog é de responsabilidade da Wordpress
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