Santos é a cidade com maior proporção de mulheres do país

O Globo

Niterói, que ostenta o título de cidade mais rica, é onde elas ganham mais

Bruno Góes

Maria Célia Quaresma, dona da Padaria Beira Mar, em Niterói Foto: Gustavo Stephan / O Globo

Maria Célia Quaresma, dona da Padaria Beira Mar, em Niterói Gustavo Stephan / O Globo

RIO e SÃO PAULO – A falta de homens em Santos, a cidade com maior proporção de mulheres do país, dificulta até a tradicional pelada na praia. Os alunos do primeiro ano do curso de Oceanografia da Unimonte, uma universidade local, tiveram que chamar as meninas da sala para viabilizar o futebol semanal. Na última quarta-feira, por exemplo, seis homens e oito mulheres jogavam na praia do Boqueirão.

– Na nossa classe, são só seis homens. Se a gente não chamasse as mulheres, não dava para fechar dois times – conta Pedro Pires da Rocha, de 20 anos, que é carioca e mudou para Santos há um ano para cursar a universidade.

Curiosidades como esta foram descortinadas pelos números do Censo de 2010. O recenseamento apresentou um Brasil com mudanças importantes e possibilitou a análise de peculiaridades de cada região, estado ou município. O país de dimensões continentais, que às vezes parece guardar segredos, pôde ser interpretado e revelado. Com base nos dados, foi possível compreender o papel e os costumes das mulheres em diversas localidades. Foi possível também constatar que elas têm cada vez mais relevância no desenvolvimento econômico do país.

No caso da cidade de Santos, onde 54,25% dos moradores são mulheres, a desproporção é evidente. Pedro conta que a diferença entre a presença de mulheres e homens é clara.

– Para nós, homens, é uma maravilha – afirma.

Já as mulheres reclamam.

– Preferia morar numa cidade que tivesse mais homens – diz Danielle Rosolem, de 19 anos, também aluna do curso de Oceanografia.

Baixinha, rápida e habilidosa, Danielle foi um dos destaques da pelada de quarta-feira na praia e não se intimidou com a presença dos homens em campo.

Apesar de as mulheres serem maioria em Santos em todas as faixas etárias, é na terceira idade que a diferença se acentua. De acordo com a prefeitura da cidade, o título de cidade mais feminina do Brasil é resultado disso.

No estado de São Paulo, Santos é conhecida por atrair aposentados, que optam pelas vantagens da vida à beira-mar depois que deixam de trabalhar.

– As mulheres acabam tendo uma vida mais longa. Isso acentua a diferença – afirma o secretário de Planejamento de Santos, Bechara Abdalla Pestana Neves.

As irmãs Analice Ribeiro, de 65 anos, Iana, 63 anos, e Diana, 51 anos, moram sozinhas. Na quarta-feira, as três dividiam uma mesa no tradicional Café Carioca, no Centro da cidade.

– No baile (da terceira idade), só tem mulher. Acabo dançando mulher com mulher porque falta homem – conta Iana.

O secretário de Planejamento lembra que a maior quantidade de mulheres é histórica na cidade. No censo de 2000, as mulheres representavam 53,77% da população da cidade, e os homens, 46,22%. Agora, são 54,25% e 45,75%, respectivamente.

O caso da cidade de Tapurah, em Mato Grosso, apresenta quadro inverso. A 450km de Cuiabá e com pouco mais de dez mil habitantes, o município apresenta o maior número proporcional de homens do Brasil. A população do sexo masculino é 40% maior do que a feminina.

O desequilíbrio se dá principalmente por conta da atividade rural, que depende bastante da mão de obra dos homens. As culturas de soja, arroz e milho e a pecuária são fator importante na economia regional.

Já Niterói ostenta o título de cidade mais rica do país, além de ser o lugar onde as mulheres, em média, ganham mais. Muitas estão à frente de negócios prósperos, como Maria Célia Quaresma Naegele, de 51 anos. Em Icaraí, bairro nobre, ela comanda a padaria Beira Mar. A empresa, familiar, foi construída por seu pai, mas avançou consideravelmente sob sua administração. Hoje, onde antes havia apenas uma simples padaria, há também um restaurante, uma loja de decoração e uma confeitaria. Um negócio que emprega cerca de 300 pessoas.

– A primeira mudança foi quando meu pai assumiu e não permitiu a venda de cigarros e bebidas alcoólicas. As pessoas se perguntavam: mas como uma padaria não vende cigarro e bebida? Mas esse foi o primeiro passo. Mudamos o público – contou ela, que viaja sempre ao exterior, e particularmente à França, para trazer as últimas novidades. O sorvete, por exemplo, usa matéria-prima trazida diretamente da Itália.

Estudo da Fundação Getulio Vargas com base no censo mostra que Niterói é o lugar onde há mais famílias pertencentes às classes AB e que 30,65% das famílias são da classe A. A socialite Paula Milo, solteira, de 31 anos, escolhe o próprio horário para trabalhar. Na sexta-feira, ela foi ao Squasso Centro de Beleza, também em Icaraí, fazer escova no cabelo.

– As mulheres de Niterói são muito ligadas à moda. E acho que é a cidade onde tem as mulheres mais bonitas – diz ela.

Paula produz, em parceria com uma amiga, há um ano, pulseiras que já foram parar no pulso de atrizes em novelas da Globo. A brincadeira começou quando ela decidiu postar fotos no Facebook. Hoje, elas se reúnem duas ou três vezes para trabalhar.

As mulheres que possuem algum rendimento ganham em Niterói, em média, R$ 2.174,47 por mês. O número ainda está bem abaixo do poder aquisitivo dos homens de Niterói (R$ 3.162,85), que, no entanto, figuram em segundo na média nacional – os moradores do sexo masculino de Santana do Parnaíba, em São Paulo, ganham R$ 465,27 a mais.

Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/pais/santos-a-cidade-com-maior-proporcao-de-mulheres-do-pais-3425877#ixzz1gH4vYKz3
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Sobre Marcos O. Costa

Arquiteto Urbanista formado pela FAU Mackenzie com mestrado em estruturas ambientais urbanas pela FAUUSP. Associado à Borelli & Merigo, onde desenvolve projetos nas áreas de edificações e urbanismo. É professor da FAAP e da Escola São Paulo. A publicidade exposta neste Blog é de responsabilidade da Wordpress
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