SP vai se livrar das enchentes no mínimo em 2040

O Estado de São Paulo

É o que diz plano municipal de drenagem; proposta é reduzir verba de piscinões e priorizar investimento em seis bacias problemáticas

Bruno Paes Manso

São Paulo só vai conseguir acabar de vez com enchentes em 2040. Essa é a meta principal do Plano Municipal de Manejo de Águas Pluviais da Prefeitura, que deve ficar pronto no ano que vem, para as seis bacias hidrográficas que mais alagam em um total de 60.

Drama. Marginal do Pinheiros alagada - Nelson Antoine/Foto Arena
Nelson Antoine/Foto Arena
Drama. Marginal do Pinheiros alagada

As campeãs de inundações, que devem receber investimentos, são as Bacias do Aricanduva e do Cabuçu de Baixo (afluentes do Rio Tietê), do Ipiranga (afluente do Tamanduateí) e Córrego Verde, Morro do S e Córrego Cordeiro (afluentes do Rio Pinheiros).

O objetivo do plano é garantir a essas regiões “grau de proteção hidrológica correspondente a 100 anos”. O termo técnico, usado na Engenharia, é feito com base nas chuvas que caíram na cidade no último século. Ter esse grau de proteção significa que, após investimentos, as regiões passam a correr o risco de inundar uma vez a cada 100 anos.

A meta para as enchentes foi apresentada ontem pelo secretário municipal de Desenvolvimento Urbano, Miguel Bucalem, no seminário Recursos Hídricos, Saneamento e Gestão Metropolitana – Novos desafios, organizado pelo Instituto de Engenharia (IE).

“Cem anos é um nível de proteção alto, mas importante para uma cidade com o grau de desenvolvimento de São Paulo. No Japão, esse grau de proteção chega a 200 anos”, explica Luiz Fernando Orsini Yazaki, coordenador adjunto do plano municipal.

Orsini explica que as bacias foram escolhidas pela gravidade das enchentes. Mas ainda falta sacramentar a decisão e há chance de investimentos serem aplicados em outras bacias.

Piscinões. Outra novidade prevista, que também deve fazer parte da proposta do 3.º Plano de Macrodrenagem da Bacia do Alto Tietê, voltado para a Região Metropolitana de São Paulo, é a diminuição de investimentos nos piscinões – principal alternativa usadas nas duas primeiras versões do Plano de Macrodrenagem para evitar as cheias.

Segundo Orsini, os técnicos que trabalham no setor encontraram duas restrições principais aos piscinões. Uma delas é a resistência dos vizinhos à obra. Eles reclamam de sujeira e desvalorização dos imóveis. O segundo problema é que faltam terrenos disponíveis para abrigar essas obras.

As novas apostas são nos parques lineares ao longo dos rios, para evitar a ocupação das várzeas, além de obras nas próprias calhas dos rios para diminuir a vazão das águas, como degraus e orifícios. Também está previsto definir no zoneamento as regiões inundáveis. São casos em que a população que mora na beira do rio tem de ser removida”, explica João Jorge da Costa, do IE, um dos coordenadores do plano de macrodrenagem.

PONTOS-CHAVE

170 anos de investimentos sem resultado

Tamanduateí
Desde 1841, o governo investe em obras para tentar remediar as inundações da região central – o primeiro planejamento foi a canalização do Tamanduateí

Novos desafios
A retificação do Tietê encolheu o rio, que passou de 46 km para 26 km. Assim, uma área de 33 milhões de m2 que eram inundáveis puderam ser urbanizadas

Sujeira
Mesmo com investimentos, as enchentes continuam por causa da impermeabilização do solo e do assoreamento dos rios, córregos e galerias da cidade

 

 

Sobre Marcos O. Costa

Arquiteto Urbanista formado pela FAU Mackenzie com mestrado em estruturas ambientais urbanas pela FAUUSP. Associado à Borelli & Merigo, onde desenvolve projetos nas áreas de edificações e urbanismo. É professor da FAAP e da Escola São Paulo. A publicidade exposta neste Blog é de responsabilidade da Wordpress
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