Poluição atinge praias tradicionalmente limpas

Folha de São Paulo

Poluição crônica avança sobre praias badaladas

EDUARDO GERAQUE

Parte de Angra e Paraty, no Rio, e áreas ‘intocadas’ de SP estão impróprias

Principal fonte de contaminação é o esgoto jogado em rios; banhistas podem ter de diarreia a hepatite

EDUARDO GERAQUE
DE SÃO PAULO

Joel Silva/Folhapress
Itamambuca, no norte de Ubatuba; esgoto chega pelo rio
Itamambuca, no norte de Ubatuba; esgoto chega pelo rio

Para quem olha para o Atlântico, o canto direito da praia de Itamambuca, em Ubatuba, é um cenário especial no litoral norte paulista.

Aquele cantinho, de areias claras e mata atlântica, parece ideal para curtir as férias, um local paradisíaco em meio à natureza preservada, gente descolada e a galera do surfe, esporte que dá fama internacional ao local.

Mas um detalhe fundamental está manchando aquele paraíso, sempre badalado nos meses de verão.

Pelo quarto ano seguido, a classificação anual da Cetesb para aquele ponto da praia será, no mínimo, ruim -enquanto a análise mais para o meio da praia mostra, ainda, águas ótimas para banho.

A depender do que ocorrer no mês que vem, o órgão ambiental paulista poderá até decretar como péssima a qualidade da água na foz do rio Itamambuca, que dá nome à praia. Esse tipo de classificação seria inédito para o local.

A culpa de tudo isso é o esgoto doméstico, que, na maioria das vezes, vai sem tratamento para o rio. E, é claro, chega assim ao mar.

Itamambuca não está sozinha nessa triste lista. Outros “points” badalados do litoral entre Santos e Rio também estão se tornando vítimas do esgoto levado pelos rios.

IMPRÓPRIO

Em Caraguatatuba, por exemplo, Tabatinga, a praia “cartão-postal” da cidade, enfrenta o mesmo problema.

Mais da metade da área é ocupada por um condomínio de alto padrão, com hotel de luxo e campo de golfe.

No canto esquerdo, de quem avista o mar, um rio serpenteia casas e prédios de veraneio. E recebe o esgoto de parte dessas construções.

Desde 2005, a classificação anual daquele ponto varia entre regular e péssima. Só na outra ponta, a do condomínio, as águas são propícias.

Rumo ao norte, no litoral do Rio, cada vez mais frequentado por paulistas, há também praias sistematicamente poluídas -caso de Jabaquara e Paraty-Mirim, em Paraty, e a famosa praia do Frade, em Angra dos Reis.

“O esgoto doméstico é uma das principais questões ambientais da atualidade. E não só em Paraty”, diz o escritor Ovídio Poli Júnior, que frequenta as praias de Trindade e Jabaquara. A primeira ainda está boa para o banho. A segunda ficou a maior parte do tempo poluída neste ano.

“A praia do Pontal, próxima ao centro histórico, tem um grande problema, porque recebe esgoto dos rios que abraçam a cidade”, diz Poli Júnior, que é organizador da OFF Flip (Feira Literária Internacional de Paraty).

Prefeituras prometem tratar esgoto ‘em breve’

A tendência em relação à qualidade da água do mar é de melhora, dizem as prefeituras ouvidas pela Folha.

As secretarias do Meio Ambiente de Caraguatatuba e Angra dos Reis atestam que o principal problema a ser combatido é o esgoto doméstico, despejado sem tratamento nos rios e no oceano.

Na enseada central de Angra, diz Marco Aurélio Vargas, secretário do Meio Ambiente, o esgoto produzido por quase 40 mil pessoas “vai ‘in natura’ para o mar”.

De acordo com ele, a partir dos investimentos que estão sendo feitos na cidade, a situação nas praias centrais da cidade vai mudar no prazo de até “seis meses”.

No caso do Frade, praia famosa por seus resorts e condomínios, o investimento virá com a construção da usina nuclear de Angra 3, diz Vargas. Ainda não há um prazo para que isso ocorra.

Em Caraguatatuba, segundo a prefeitura, um dos problemas em Tabatinga é fazer a fiscalização sobre o esgoto nas casas de veraneio. Como elas ficam fechadas, as fiscalizações só podem ocorrer “nos finais de semana”.

A chamada poluição difusa, como o lixo jogado nas ruas, é outro problema.

A Prefeitura de Ilhabela informa que a situação já melhorou neste ano depois das obras de saneamento básico.

A coleta e o tratamento de esgoto passou de 4% para 36%. Em 2010, pela classificação anual da Cetesb (agência ambiental paulista), as praias da ilha voltadas para o canal ficaram impróprias. A tendência é de uma discreta melhora para este ano.

A prefeitura não se pronunciou sobre o problema da qualidade da água.

CONTAMINAÇÃO

Procurada, a Prefeitura de Ubatuba não se manifestou sobre a balneabilidade.

Em Paraty, que tem praias do centro histórico também sujas, e Itamambuca, em Ubatuba, grupos sociais reivindicam melhorias no saneamento há alguns anos.

De acordo com especialistas, o maior risco de mergulhar num local com água contaminada é contrair uma gastroenterite. O contato com água poluída, no entanto, pode causar doenças ainda mais sérias, como a hepatite.

A recomendação dos médicos e órgãos ambientais

é não entrar na água se a classificação semanal daquela praia estiver imprópria. Um pequeno gole eventual pode ser o suficiente para que o banhista seja contaminado.

http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/1012797-poluicao-cronica-avanca-sobre-praias-badaladas-de-sp.shtml

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Sobre Marcos O. Costa

Arquiteto Urbanista formado pela FAU Mackenzie com mestrado em estruturas ambientais urbanas pela FAUUSP. Associado à Borelli & Merigo, onde desenvolve projetos nas áreas de edificações e urbanismo. É professor da FAAP e da Escola São Paulo. A publicidade exposta neste Blog é de responsabilidade da Wordpress
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