Chevron tentou esconder vazamento de petróleo em Campos

Rede Brasil Atual

Chevron tentou esconder vazamento de petróleo em Campos Imagem de satélite (no quadro) mancha de óleo na Bacia de Campos (Foto: Nasa)

São Paulo – A direção da Chevron no Brasil, omitiu informações sobre o vazamento de petróleo em poço da Bacia de Campos e pode ser responsabilizada por tentar ocultar o acidente. Segundo reportagem da folha de S.Paulo deste domingo (20), a Chevron sabia do vazamento de petróleo no Campo do Frade desde o dia 9, mas só tornou a informação pública cinco dias depois, na segunda (14). Até então, a empresa tratava o incidente como “fissuras no fundo do mar”.

Foi preciso que técnicos da Petrobras avistassem sinais de vazamento na superfície do mar e avisassem a multinacional para que a empresa tomasse as primeiras providências para tentar conter o vazamento, que já dura 13 dias.

Reincidente

A empresa Transocean, que faz os trabalhos de perfuração para a Chevron no Campo de Frade, é a mesma que operava a plataforma da British Petroleum, que explodiu em abril de 2010, no Golfo do México, causando um dos maiores desastres ambientais da história recente.

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Apesar do negativo retrospecto da Transocean, o presidente da concessionária brasileira da Chevron, George Buck, disse que a terceirizada “é de confiança” e que continuará a operar com ela no Brasil.

No acidente do Golfo do México, 11 pessoas morreram, cerca de 4,9 milhões de barris de óleo foram derramador no mar, em 87 dias de vazamento e até hoje a dimensão total dos prejuízos materiais e ambientais são desconhecidos.

Desinformação

No Rio, o secretário estadual do Ambiente, Carlos Minc, acusou a Chevron de ter subestimado a quantidade real de petróleo vazado do Campo de Frade, que está instalado na Bacia de Campos. Minc sobrevoou a área atingida pelo vazamento a bordo de um helicóptero da Marinha e constatou que a quantidade de óleo no mar é maior do que o anunciado pela empresa.

“A mancha é muito grande. Está borbulhando e continua saindo óleo da fissura. Nós vimos três baleias jubarte a 300 metros, o que significa que a biodiversidade já está afetada. Se a empresa sonegou informação, e tudo indica que sonegou, ela tem que ser ainda mais rigorosamente punida. Por ter poluído, por ter afetado a biodiversidade e por ter sonegado a informação.” As declarações foram feitas na sexta-feira (18).

Minc considerou que houve erro em um estudo geológico anterior, ao não prever a possibilidade de uma falha no subsolo. “Isso é muito grave. Pois significa que deveria ter sido previsto antes e poderia inclusive evitar esse tipo de acidente.”

O secretário também classificou o acidente como um alerta para toda a exploração do pré-sal que está começando no país. “Este não foi um acidente gravíssimo, mas foi um festival de erros. Serve para nós como um alerta vermelho. Este é um [poço], o pré-sal vai ter mil. Então temos que tirar lições disso.”

O presidente da subsidiária brasileira da Chevron, George Buck, negou que a empresa tenha subestimado o tamanho do vazamento e disse que era muito difícil definir a real dimensão do problema. O exectuvo afirmou ainda  que a empresa não tem uma estimativa sobre a quantidade de óleo que escapou do Campo de Frade, na Bacia de Campos. Segundo ele, a apuração do volume efetivamente vazado depende de cálculos complexos e vai levar alguns dias.

Buck concordou que a causa provável do acidente foi um erro de cálculo dos técnicos da empresa. “A pressão em um dos reservatórios de óleo foi subestimada, mais alta do que nós esperávamos. Nossa previsão da pressão do reservatório é que pode não ter sido correta”.

Suspeitas

Um inquérito para apurar as causas e responsabilidades do acidente foi instaurada pela Polícia Federal, que afirmou que as investigações tentarão apurar se a Chevron estava fazendo perfurações abaixo do permitido pela concessão contratual firmada com o governo brasileiro e se a real intenção da companhia era chegar à camada pré-sal.

As diligências deverão checar também por que o executivo Buck omitiu informações sobre o início e as reais dimensões do vazamento.

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Sobre Marcos O. Costa

Arquiteto Urbanista formado pela FAU Mackenzie com mestrado em estruturas ambientais urbanas pela FAUUSP. Associado à Borelli & Merigo, onde desenvolve projetos nas áreas de edificações e urbanismo. É professor da FAAP e da Escola São Paulo. A publicidade exposta neste Blog é de responsabilidade da Wordpress
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