Arquitetos reinventam favelas em SP

Folha de São Paulo

Escritórios prestigiados da cidade ganham concursos para reurbanizar ocupações e construir ‘cohabs’ de qualidade

Responsável por setor na prefeitura nega que profissional encareça projeto; área na Billings ganha parque linear

RAUL JUSTE LORES
EDITOR DE MERCADO

Escritórios de primeiro time da arquitetura paulistana estão trabalhando na reurbanização de favelas, criando parques em áreas mananciais ocupadas irregularmente e criando 17 mil apartamentos em conjuntos habitacionais no lugar dos barracos.

Depois de décadas de Cingapuras ou cópias de Cidade Tiradentes e Cidade de Deus, bons arquitetos foram convocados para combater a monotonia de dezenas de prédios iguais enfileirados.

“O valor do projeto do arquiteto representa um percentual mínimo no total da obra, uns 2%”, estima a superintendente de Habitação Popular da Prefeitura de São Paulo, Elisabete França.

A arquiteta é considerada madrinha da invasão de arquitetos no mundo de cachês e orçamentos modestos e dificuldades superlativas da administração pública.

“Antes, passavam-se dois anos e já havia invasões, a manutenção era falha e havia problemas com a arquitetura”, diz Bete, como é conhecida, dizendo que moradores estão recebendo treinamento e cursos para síndicos na Universidade Secovi.

Ela cita janelas maiores, ventilação cruzada e chuveiro econômico como as principais mudanças implementadas. “Heitor Vigliecca fez algumas salas e cozinhas conjugadas, pedidas pelos moradores, que adoram receber visitas e cozinhar.”

O escritório Andrade Morettin está reformando Cingapuras na zona norte. Mário Biselli projeta 500 unidades em prédios com passarelas e pátios internos. O escritório MMBB faz prédios altos no Jardim Edith.

Entre outros escritórios vencedores nos concursos da Secretaria Municipal de Habitação, estão Una, Brasil Arquitetura, Marcos Acayaba, Ciro Pirondi, Cláudio Libeskind e Álvaro Puntoni.

Na média, as unidades custam R$ 75 mil, têm dois quartos e 52 m² (exíguos, como lançamentos nas áreas nobres). O financiamento é por 25 anos, com mensalidades que não podem ultrapassar 25% da renda da família (prestação comum é de R$ 120).

“Ao entrar no apartamento novo, o morador vira classe média, com endereço registrado. Quase ninguém leva os móveis da época em que vivia na favela”, compara.

CANTINHO DO CÉU

O xodó da Secretaria de Habitação (Sehab) é a reurbanização de área no Grajaú, às margens da represa Billings, onde 40 mil pessoas vivem, pouco mais que a população de Higienópolis.

Chamado de Cantinho do Céu, a 30 km ao sul da avenida Paulista, o projeto substitui barracos sem esgoto por casas, pavimenta ruas e cria um parque linear de 7 km

(2 km já concluídos).

O Instituto de Pesquisas Tecnológicas desenvolveu tijolos permeáveis para colocar no calçadão do parque linear, e os bueiros das ruas recém-pavimentadas foram instalados em um declive no meio delas, em vez das laterais, para evitar que as chuvas alaguem as casas.

Pista de skate, campinhos de futebol, deques de madeira, lixeiras para material reciclável, playgrounds e aparelhos de ginástica para idosos foram instalados.

Como o bairro fica vazio durante a semana -boa parte dos moradores trabalha a duas horas dali em transporte público- é no fim de semana que rodas de samba e grupos de ginástica ocupam os deques.

Transporte e segurança são reclamações frequentes de moradores, que admitem que seu bairro, pelo menos, ficou bem diferente da cinzenta periferia paulistana.

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidian/10020-arquitetos-reinventam-favelas-em-sp.shtml

Sobre Marcos O. Costa

Arquiteto Urbanista formado pela FAU Mackenzie com mestrado em estruturas ambientais urbanas pela FAUUSP. Associado à Borelli & Merigo, onde desenvolve projetos nas áreas de edificações e urbanismo. É professor da FAAP e da Escola São Paulo. A publicidade exposta neste Blog é de responsabilidade da Wordpress
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