Mundo em desenvolvimento vira motor global; China é peça-chave

Carta Maior

Com crise de 2008, países ricos perderam posto de locomotiva. Países em desenvolvimento já geram mais da metade das riquezas mundiais e devem manter liderança por algum tempo. EUA vivem ‘semi-estagnação’. Na Europa, situação é mais grave, com risco de colapso financeiro. Maquinista da nova ‘locomotiva’, China será decisiva em 2012 e merece atenção do Brasil.

André Barrocal

BRASÍLIA – A crise financeira global de 2008 transformou os países em desenvolvimento em locomotivas do crescimento internacional, tendo a China como maquinista. Com os outrora líderes econômicos Estados Unidos, Europa e Japão atolados em dificuldades, o mundo em ascensão deve manter-se na dianteira por mais algum tempo.

Neste cenário, a China torna-se cada vez mais importante para os negócios no planeta e será decisiva para os rumos da economia global em 2012, o que deve ajudar, ao lado do mercado interno, Brasil atravessar sem grandes prejuízos esses tempos difíceis.

De cada dez dólares de riquezas geradas entre 2002 e 2007, seis saíram dos países ricos e quatro, dos em desenvolvimento, segundo estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). Em 2008, com a quebra de um banco nos EUA e a contaminação do sistema financeiro europeu, a situação se inverteu, e na mesma proporção. Em 2010, o fenômeno repetiu-se.

Agora, espera-se que tanto em 2011 quanto em 2012, mais da metade das riquezas globais seja gerada pelo mundo em desenvolvimento. E não há nada no horizonte que aponte mudança no quadro. “As economias centrais preocupam, mas a alternativa asiática parece que vai se manter por algum tempo”, diz Claudio Hamilton, técnico do Ipea.

“Alternativa asiática” quer dizer China, e é com ela que o Brasil mais tem que se preocupar, caso queira continuar a crescer. E o perigo chama-se inflação. A alta de preços tem estado em níveis elevados por lá. Se o governo chinês decidir adotar medidas duras para contê-los, esfriará a atividade econômica doméstica, afetando exportações brasileiras que compensam ali a perda de mercados nos EUA e na Europa.

A Europa está praticamente parada na busca de uma solução para a brutal dívida pública de alguns países. Na crise de 2008, o contágio do sistema financeiro local pelo vendaval norte-americano levou governos a salvar bancos com dinheiro público.

A injeção aumentou a dívida, a estagnação econômica diminuiu a arrecadação de imposto e fez a dívida crescer mais ainda. O desemprego, que já era alto, atingiu níveis dramáticos, com aumento médio de 20%.

Para o Brasil, uma implicação potencial de recessão européia seria a ampliação das remessas de lucros das filiais para matrizes cobrirem perdas. Mas, do ponto de vista da atividade econômica, não deve haver nada de mais preocupante.

“O quadro na zona do Euro é mais grave do que nos Estados Unidos. Existe uma ameaça latente de crise bancária, o que parece que vai se estender por algum tempo”, afirma Lucas Ferraz, autor do estudo do Ipea.

Os EUA já deixaram os problemas financeiros para trás, à custa de muito recurso público também, e hoje tem como principal problema a falta de confiança dos empresários. O ânimo deles – elemento vital numa economia que historicamente cresce puxada pelo setor privado – ainda não voltou aos patamares pré-crise de 2008.

De lá para cá, o desemprego dobrou, as famílias continuam endividadas e não compram. Quem investe, sem vislumbrar lucro adiante? “A perspectiva é que essa situação não mude no futuro, e a economia americana fique num quadro de semi-estagnação”, diz Ferraz.

Sem poder contar com a própria economia local para criar empregos, e às vésperas de uma campanha reeleitoral, o presidente Barack Obama fica tentado a apostar em duas medidas com implicações para o Brasil. Usar o câmbio (dólar) para facilitar as exportações e gerar empregos a partir de negócios no exterior. E derramar, mais uma vez, “dinheiro fácil” na economia, ao recomprar títulos públicos em poder do “mercado”.

O Brasil sofreria tanto com a manipulação do câmbio – importar dos EUA ficaria mais barato, prejudicando a indústria nacional -, quanto com a recompra de títulos (parte dos especuladores pegaria o dinheiro e viria ao país lucrar com o maior juro do planeta; e isso também teria impacto no câmbio e nas importações).

http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=18887&alterarHomeAtual=1

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Sobre Marcos O. Costa

Arquiteto Urbanista formado pela FAU Mackenzie com mestrado em estruturas ambientais urbanas pela FAUUSP. Associado à Borelli & Merigo, onde desenvolve projetos nas áreas de edificações e urbanismo. É professor da FAAP e da Escola São Paulo. A publicidade exposta neste Blog é de responsabilidade da Wordpress
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