Ignacio Cano: Freixo sair do País é derrota para sociedade

Terra Magazine

Ana Cláudia Barros


A convite da Anistia Internacional, o deputado Marcelo Freixo ficará fora do País temporariamente (Foto: Thaissa Araújo/Alerj/Divulgação)

O professor e pesquisador na área de segurança pública, Ignacio Cano, do Laboratório de Análise da Violência da Uerj, considera o caso do deputado estadual Marcelo Freixo (Psol-RJ), obrigado a deixar temporariamente o País após ameaças de morte, uma “derrota da sociedade”. Freixo, que está no segundo mandato, presidiu a CPI das milícias em 2008, na qual foram indiciadas 220 pessoas. A investigação a fundo desses grupos paramilitares tornou o parlamentar potencial alvo dos milicianos. Desde então, o deputado passou a contar com escolta 24 horas.

– Os que combatem o crime têm que se esconder e se proteger, e os criminosos, quando são presos, saem pela porta da frente do batalhão prisional de Benfica (Batalhão Especial Prisional da Polícia Militar). Acho que o caso reflete a gravidade do quadro. Se todos os deputados fizessem o que tinham que fazer, se todos os juízes fizessem o seu dever, então, os deputados individuais que fazem isso (combatem os grupos criminosos) não correriam risco. Como, infelizmente, são poucos os que fazem, esses poucos correm um risco pessoal muito grande. Então, é uma obrigação da sociedade proteger essas pessoas que, no fundo, estão servindo a sociedade, arriscando sua integridade pelo bem comum – diz Cano.

Em entrevista a Terra Magazine no dia 13 de abril deste ano, Marcelo Freixo destacou a proliferação dos grupos milicianos no Rio de Janeiro, mesmo após a CPI, e apontou, como um dos principais motivos, o fato de o poder público “não cortar os braços econômicos” da rede criminosa. “Se não cortar deles o domínio do gás, da van, do ‘gatonet’, vão continuar crescendo, mesmo com seus líderes presos”, disse Freixo, na ocasião.

Ignacio Cano, que em 2008 coordenou a pesquisa “Seis por Meia Dúzia?”, trabalho desenvolvido junto a moradores de áreas dominadas por milícias na capital e na Baixada Fluminense, concorda.

-O que movimenta esse fenômeno todo é o lucro. Portanto, o lucro é o nó da questão. Acho que é preciso ter uma presença ostensiva do Estado, ou seja, policiamento para evitar esse domínio territorial. A curto prazo, só é possível acabar com isso com a presença ostensiva do Estado – afirma o pesquisador, acrescentando:

-Seria necessário ainda uma investigação criminal, que está acontecendo em alguma medida, mas teria que ser expandida. O terceiro elemento é a regulação das atividades irregulares. Transporte alternativo, por exemplo, que tem que ser regulado ao invés de ignorado ou perseguido – enfatiza Cano, responsável por outra pesquisa sobre milícias, cuja conclusão está prevista para o começo do ano que vem.

Na avaliação do sociólogo, o governo do Rio de Janeiro não está lidando adequadamente com o problema, apontado como uma das mais gracves questões de segurança pública do Estado.

– É um problema grave e não é fácil de lidar, mas o que o Estado tem feito obviamente não é suficente. Senão, o deputado Marcelo Freixo não estaria sendo ameaçado e saindo do país.

http://terramagazine.terra.com.br/interna/0,,OI5448281-EI6578,00.html

Sobre Marcos O. Costa

Arquiteto Urbanista formado pela FAU Mackenzie com mestrado em estruturas ambientais urbanas pela FAUUSP. Associado à Borelli & Merigo, onde desenvolve projetos nas áreas de edificações e urbanismo. É professor da FAAP e da Escola São Paulo. A publicidade exposta neste Blog é de responsabilidade da Wordpress
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