Albergue em Pinheiros: Moradores aguardam matéria de Veja para decidir se continuam briga contra instalação de albergue

Fórum

Moradores aguardam matéria de Veja para decidir se continuam briga contra instalação de albergue

Reação do promotor Mauricio Antonio Ribeiro Lopes e repercussão negativa do caso preocuparam os signatários da representação enviada ao Ministério Público.

Por Igor Carvalho [20.10.2011 15h40]

Alguns representantes dos moradores e comerciantes de Pinheiros, zona oeste de São Paulo, que protocolaram uma representação ao Ministério Público para evitar que um albergue fosse transferido para a sua região, se reuniram ontem (19) com o advogado Luiz Carlos Tucho, que os representa. Após o encontro, a comissão decidiu aguardar o posicionamento da reportagem da revista Veja, que deve ser publicada no próximo fim de semana, para então decidir sobre a continuidade ou não da demanda diante do Ministério Público Estadual (MPE).

Para a comerciante Joacy, uma das pessoas que encabeça o movimento, “o mais correto neste momento é aguardar a repercussão da matéria da Veja, que, acreditamos, será favorável a nós”. A preocupação com a rejeição da opinião pública preocupa os signatários do documento que, segundo o promotor Mauricio Antonio Ribeiro Lopes, “é de provocar inveja a qualquer higienista social do Terceiro Reich”.  Um dos comerciantes da região, que não quis se identificar, criticou a cobertura da mídia e também se mostrou esperançoso com a possível reportagem favorável da semanal da Abril. “A imprensa é fascista, menos a Veja, ela vai ficar do nosso lado.”

Mesmo antes da matéria da edição impressa, o colunista da revista, Reinaldo Azevedo, saiu em defesa dos moradores em seu blogue, adiantando o que pode ser um posicionamento da revista. Em um trecho de seu texto, o colunista compara os albergues a instituições prisionais, que abrigam criminosos. “Bairros costumam rejeitar albergues; cidades costumam reagir mal a presídios ou a casas que abrigam menores infratores. Será que isso tudo é só preconceito? Não haveria aí a expressão de um problema real, que afeta mesmo a vida das pessoas?”.

Azevedo segue em sua argumentação com estereótipos de usuários de albergues, o que justificaria a preocupação com violência, explicitada na representação. “O promotor pode pesquisar um pouco e vai constatar que muitos, talvez a maioria, têm problemas psíquicos graves — é a comunidade mais atingida pelo crack. Isso tudo implica, obviamente, distúrbios e ameaça à segurança”.

Carta gera incômodo entre signatários

“Quando passaram o documento pedindo assinatura, não tinha aquela carta, era outra coisa, depois que eu vi o conteúdo na internet”. A alegação é de Roseli Bauduíno, comerciante da região próxima ao local para onde o albergue pode ser transferido. A proprietária da loja concorda com a causa, de que o abrigo não deve ir para perto de seu estabelecimento, porém discorda do teor da carta. “Ninguém é idiota de achar que isso é uma coisa boa para a região, mas a carta ficou muito forte, agora estão todos contra nós por causa do documento”.

Ainda na rua Cardeal Arcoverde, outro comerciante, Jason Franco, teve o mesmo problema. “Quando recebi o documento não tinha a carta, aliás, ainda não vi, trabalho muito aqui, não tive nem tempo de entrar na internet para ver”.

Somente na segunda (24), o advogado Luiz Carlos Tucho ou algum representante da comissão que encaminhou a petição deve se pronunciar. A reportagem de Fórum encaminhou no último dia 19 um e-mail com cinco perguntas para a comerciante Joacy, porém, até o fechamento da matéria não obteve retorno.

http://www.revistaforum.com.br/conteudo/detalhe_noticia.php?codNoticia=9542

Sobre Marcos O. Costa

Arquiteto Urbanista formado pela FAU Mackenzie com mestrado em estruturas ambientais urbanas pela FAUUSP. Associado à Borelli & Merigo, onde desenvolve projetos nas áreas de edificações e urbanismo. É professor da FAAP e da Escola São Paulo. A publicidade exposta neste Blog é de responsabilidade da Wordpress
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