Os estudantes saem novamente às ruas no Chile

Carta Maior

A Federação de Estudantes do Chile (Fech) convocou a realização de panelaços em diversos pontos da capital na noite desta terça-feira, depois das novas detenções realizadas pelos carabineiros e da aparição de um grupo de encapuzados que provocaram incidentes em Santiago durante a mobilização de mais de 100 mil estudantes que pediram, mais uma vez, uma reforma educacional que garanta a gratuidade do ensino em seus três níveis.

Durante a mobilização realizada ao meio-dia desta terça-feira, um grupo de manifestantes encapuzados se enfrentou com os carabineiros perto do Parque Almagro e do Passeio Bulnes, uma zona residencial de Santiago. Embora o percurso da manifestação tenha sido autorizado pelo governo, pela manhã a polícia local deteve seis pessoas por levantar barricadas em distintas esquinas da capital, fato que se repetiu nas primeiras horas da tarde.

Os encapuzados foram repudiados pelos milhares de jovens que marcharam em paz pelo centro de Santiago. Os ataques começaram logo depois que pessoas em um edifício jogaram água sobre os manifestantes. “Os violentos não somos nós”, disse a líder universitária Camila Vallejo no Twitter, pedindo calma aos estudantes que participavam da mobilização.

Alguns parlamentares da oposição destacaram que, entre os violentos, há policiais à paisana infiltrados para incitar à violência, como mostraram vários programas de televisão nas últimas semanas. O deputado comunista Lautaro Carmona revelou que a guarda do Congresso terminou protegendo um desses agentes, durante outra marcha na cidade de Valparaíso. “Isso confirma a debilidade de um governo que exerce a autoridade através de operações de inteligência”, afirmou.

Por sua parte, o ministro do Interior, Rodrigo Hinzpeter, contra quem a oposição levantou uma acusação constitucional por proibir as marchas na semana passada, fustigou novamente os “excessos”: “Os estudantes não são os únicos que têm direitos, o resto dos chilenos também têm”.

Hinzpeter, que é o político mais próximo ao presidente Sebastián Piñera, acrescentou que é hora de dar por finalizadas as mobilizações, que após três meses de protesto derrubaram o apoio ao mandato de Piñera.

Neste sentido, a prefeita de Santiago, Cecilia Pérez, advertiu os organizadores do protesto que eles devem “se responsabilizar” pelos resultados. “Sempre disse que não se pode apenas ser responsável por uma convocatória, mas é preciso ser responsável também pelos resultados, e, por isso, vamos nos articular não somente com os Carabineros, mas também com os manifestantes para que possamos identificar quando há pessoas que não pertencem ao movimento estudantil”, explicou.

No entanto, as marchas contam com o apoio de um amplo setor da sociedade, o que ficou demonstrado nas mobilizações de sexta-feira, quando ocorreu um panelaço contra as 870 detenções e a repressão policial, e do domingo no parque Almagro, onde mais de 50 mil pessoas se reuniram em apoio aos estudantes universitários e secundaristas.

Enquanto isso, tanto o ministro da Educação, Felipe Bulnes, que ainda conseguiu um acordo com os estudantes, defendeu que se busque uma saída política para a crise no Congresso. “O que falta agora é que todos esses elementos valiosos que os estudantes conquistaram se traduzam em resultados”, assinalou.

O líder universitário Giorgio Jackson indicou que embora existam pontos que possam ser acordados, o problema é que o governo não aceita discutir a existência de lucro na educação.

Tradução: Katarina Peixoto

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Sobre Marcos O. Costa

Arquiteto Urbanista formado pela FAU Mackenzie com mestrado em estruturas ambientais urbanas pela FAUUSP. Associado à Borelli & Merigo, onde desenvolve projetos nas áreas de edificações e urbanismo. É professor da FAAP e da Escola São Paulo. A publicidade exposta neste Blog é de responsabilidade da Wordpress
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