Bus Rapid Transit é alternativa sustentável para transporte coletivo

Ciclovivo

A cada ônibus é possível retirar de 15 a 20 carros da rua.| Imagem: Divulgação TransMilenio

O transporte coletivo é um grande emissor de gases de efeito estufa. Portanto, é essencial encontrar alternativas sustentáveis para minimizar esse impacto. Uma das soluções é o Bus Rapid Transit (BRT), um sistema de corredores de ônibus rápidos.

Apesar do nome em inglês, o modelo é brasileiro e foi idealizado pelo ex-prefeito de Curitiba, Jaime Lerner, em 1974. Na época, a alternativa foi uma importante solução para o trânsito caótico da capital paranaense e acabou inspirando cidades no mundo inteiro, como Nova York, Bogotá, Madrid, Santiago, entre outras.

O BRT se torna uma solução sustentável, a partir do momento que oferece qualidade no transporte coletivo e, consequentemente, incentiva as pessoas a trocarem os carros pelos ônibus. Segundo o consultor especializado em sustentabilidade, Laércio Bruno Filho, em São Paulo, por exemplo, a velocidade dos ônibus nos corredores é superior a dos automóveis.

Para o especialista, o sistema é adequado às cidades grandes, com mais de 500 mil habitantes. Por isso, está sendo planejado para boa parte das cidades que sediarão os jogos da Copa do Mundo de 2014. Mesmo que recentemente tenha sido cogitada a utilização dos Veículos Leves sobre Trilhos, Filho acredita que o BRT é muito mais vantajoso economicamente e também pelo legado que essa estrutura, com capacidade para carregar mais pessoas, deixará para as cidades após o Mundial de Futebol.

Os corredores de transporte de superfície também são comparados com os metrôs, em sua eficiência. Diante desse confronto existem muitos requisitos a serem analisados. O primeiro deles é o custo. Enquanto cada quilômetro do metrô custa R$ 400 milhões, o BRT chega a ser até 20 vezes mais barato. Outro problema é a questão do replanejamento urbano, que é necessário em ambas as propostas. Porém, a quantidade de pessoas que precisam ser desalojadas e realocadas é muito maior nas construções do metrô, diante das adaptações necessárias para os corredores. Isso também barateia os projetos, além de reduzir o impacto ambiental.

O ponto em que o metrô leva vantagem, pelo menos por enquanto, é em relação às emissões de gases de efeito estufa liberados durante o transporte. Por ser elétrico, o transporte sobre trilhos praticamente não polui, se comparado aos ônibus movidos a combustíveis fósseis. Todavia, esse tende a ser um problema temporário, já que muitos estudos são feitos no sentido de minimizar esse impacto, criando coletivos movidos à biocombustíveis, híbridos e até mesmo modelos elétricos ou adaptações dos trólebus, que já foram muito comuns na cidade de São Paulo, mas hoje estão quase extintos. “Na minha opinião, a extinção dos ônibus elétricos é algo que jamais devia ter acontecido. Foi um retrocesso”, opina o consultor.

Além de tornar os ônibus mais “limpos”, as empresas têm investido em conforto e eficiência para atrair os usuários e incentivá-los a usar os transportes coletivos com maior frequência, reduzindo a quantidade de carros nas ruas, os congestionamentos e a poluição gerada por eles. Filho acredita que “a grande solução para o trânsito caótico de grandes cidades é investir em transporte coletivo”.

A cada ônibus é possível retirar de 15 a 20 carros da rua. Por isso, o especialista diz que “o BRT é ambientalmente mais viável que outros sistemas”. Mesmo assim, ele admite que somente os corredores não tornam o meio de transporte eficiente, mas que em cidades muito grandes, como São Paulo, a melhor opção é ter uma rede onde todos os sistemas estejam interligados, agilizando o tempo de locomoção do usuário e proporcionando segurança e praticidade.

http://ciclovivo.com.br/noticia.php/3082/bus_rapid_transit_e_alternativa_sustentavel_para_transporte_coletivo/

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Sobre Marcos O. Costa

Arquiteto Urbanista formado pela FAU Mackenzie com mestrado em estruturas ambientais urbanas pela FAUUSP. Associado à Borelli & Merigo, onde desenvolve projetos nas áreas de edificações e urbanismo. É professor da FAAP e da Escola São Paulo. A publicidade exposta neste Blog é de responsabilidade da Wordpress
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