Projeto mais ambicioso quadruplicou orçamento para Olimpíada de 2012

BBC Brasil

Pablo Uchoa

O estádio olímpico para 80 mil pessoas custou 486 milhões de libras

Em seis anos, as mudanças nas ambições do projeto olímpico londrino levaram as autoridades britânicas a apresentar ao contribuinte uma conta cerca de quatro vezes maior que a original.

A estimativa inicial de 2,4 bilhões de libras (cerca de R$ 6 bilhões) apresentada em 2005, quando Londres foi escolhida para sediar os Jogos Olímpicos, fica pequena diante dos valores a um ano da abertura do evento.

Segundo a ODA, o órgão que supervisiona os preparativos, só em obras para a Olimpíada devem ser gastos 7,25 bilhões de libras (mais de R$ 18 bilhões).

Isto inclui a construção das arenas de competição, a vila olímpica e o centro de mídia, a infra-estrutura da região dos Jogos e obras no sistema de transporte.

Levando em conta o policiamento do evento e da cidade, os Jogos Paraolímpicos e outros gastos operacionais, entretanto, o custo deve subir para 9,3 bilhões de libras (R$ 23,5 bilhões).

E as autoridades ainda precisam divulgar o valor da readaptação da infra-estrutura olímpica para uso após os Jogos.

Mas apesar do salto orçamentário, as autoridades esportivas rebateram as críticas apontando que a Olimpíada deixará “o legado mais duradouro” para Londres: a revitalização da região leste da cidade, uma área historicamente mais pobre e carente de infra-estrutura.

Ao defender a ampliação do projeto e do orçamento em 2007, a então secretária do Partido Trabalhista para a Olimpíada, Tessa Jowell, disse que os Jogos mobilizariam “um programa de regeneração que nunca poderia ser imaginado sem os Jogos”.

50 anos em 5

O centro é a 6ª e última arena a ficar pronta, um ano antes da abertura dos Jogos

Analistas dizem que as transformações realizadas com a realização dos Jogos Olímpicos no leste de Londres levariam décadas para serem obtidas através de projetos de desenvolvimento caminhando ao passo normal.

Segundo o orçamento da autoridade olímpica britânica, foram gastos quase 2 bilhões de libras (cerca de R$ 5 bilhões) na implantação de linhas de energia elétrica, pontes, vias e outras obras de infra-estrutura nas áreas ao redor do parque olímpico.

Outros 865 milhões de libras (cerca de R$ 2,2 bilhões) foram direcionados para obras no metrô e no sistema de transporte que servirá a região dos Jogos.

Além disso, o valor da conta subiu a partir da estimativa original porque, em 2007, o governo acreditava ser possível construir o centro de mídia e a Vila Olímpica com recursos privados, atraindo empresas para investir no evento.

Com a crise econômica que se abateu sobre o país no ano seguinte, os recursos do setor privado ficaram mais escassos e o governo teve de arcar sozinho com a conta de 1,2 bilhão de libras, ou R$ 3 bilhões.

O valor é mais alto que tudo o que foi gasto levantando as arenas em si – 1,1 bilhão de libras, cerca de R$ 2,8 bilhões. Na conta final, a construção dos locais dos jogos deve representar pouco mais que 10% dos custos totais.

Além dos 7,25 bilhões de libras em obras para preparação do Parque Olímpico, outros 2 bilhões de libras de gastos estão previstos no pacote de financiamento público.

A maior parte é destinada à segurança – uma rubrica que pode ter aumentado consideravelmente após os ataques de 7 de julho de 2005, que mataram mais de 50 pessoas em Londres poucos dias após a escolha da sede olímpica.

Legado

Ao fim da competição, o governo transformará a Vila Olímpica em moradias, reconfigurará o traçado das vias e readaptará os locais de competição para o uso cotidiano.

A ideia é evitar que as arenas e o estádio e arenas caiam no desuso e virem “elefantes brancos” na cidade.

A autarquia criada para cuidar do legado do Parque Olímpico, OPLC, na sigla em inglês, ainda está estudando o valor do custo desta transformação. A estimativa deve ser publicada no próximo relatório olímpico, que deve sair em outubro.

Sem ter sido ainda divulgada, a cifra já vem causando polêmica. Algumas estimativas apontam que só para readaptar o estádio olímpico – que deverá passar de uma capacidade de 80 mil lugares para 25 mil – o governo terá de desembolsar o equivalente a 90% de toda a obra.

Desde que o orçamento foi revisado e detalhado, em 2007, as autoridades londrinas têm mantido os custos um pouco abaixo do previsto, e 88% do total das obras já ficaram prontas.

A inauguração da 6ª arena de competição, a piscina olímpica para competições de natação e nado sincronizado, um ano antes da abertura do evento, significa que a preparação para os Jogos de 2012 também está dentro do cronograma.

http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2011/07/110727_olimpiadas_orcamento_pu.shtml

Sobre Marcos O. Costa

Arquiteto Urbanista formado pela FAU Mackenzie com mestrado em estruturas ambientais urbanas pela FAUUSP. Associado à Borelli & Merigo, onde desenvolve projetos nas áreas de edificações e urbanismo. É professor da FAAP e da Escola São Paulo. A publicidade exposta neste Blog é de responsabilidade da Wordpress
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