A perigosa BR-040

Acabo de retornar de doze dias de mergulho pelo interior do Rio e de Minas. Um revigorante encontro com o que há de melhor na cultura brasileira. Porém no caminho do Rio para BH tive que atravessar uma verdadeira aventura ao longo da rodovia BR-040. Desde a Cidade Maravilhosa até Juiz de Fora vai tudo bem, a partir daí a viagem se transforma numa sequência de barbaridades. Há alguns trechos de pista dupla, intercalados por pistas simples ou alargadas. As alargadas são pistas simples cujos acostamentos foram transformados em vias de rolamento. Consequentemente os veículos com problemas mecânicos são obrigados a parar no meio da pista. O asfalto, na maior parte do percurso, é irregular e cheio de buracos. Tanto a sinalização horizontal como a vertical são péssimas ou mesmo inexistentes. As informações passadas pela escassa sinalização são dúbias, o que leva a existência de uma hilária placa que, em tom de súplica, roga para que se “confie na sinalização”. Um bom exemplo do tipo de informação atravessada que a sinalização transmite é o limite de velocidade de 80 km/h nos novos trechos duplicados, enquanto as porcarias dos trechos alargados, muito mais inseguros do que os primeiros, têm limite de 100 km/h. Toda esta situação só pode acarretar altos índice de acidentes. Ao longo da semana passada viajei por três dias pela estrada, e em todos eles tivemos que enfrentar a interrupção do tráfego nos dois sentidos da rodovia, por conta de acidentes com vítimas. O último destes ocorreu no dia 21 de julho e envolveu  dois caminhões e um carro cujos ocupantes foram removidos por ambulâncias, o que levou à interrupção do tráfego por mais de quatro horas. No sentido Rio/BH o congestionamento foi de mais de 10 km. Quatro horas em que três de nossas principais metrópoles ficaram sem conexão terrestre: Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Brasília. Durante este calvário, pude conversar com usuários que estavam supresos com a demora em se liberar a rodovia, mas não com a sua interrupção, segundo eles um fato corriqueiro. Porém muito pior do que isso é saber que várias vidas se perdem na tragédia de uma rodovia indecente.

Aqui a reportagem do Estado de Minas sobre o acidente do último dia 21:

Grave acidente deixa um morto, seis feridos e para o trânsito na BR-040, em Itabirito

Por Daniel Silveira

Publicação: 21/07/2011 19:23 Atualização: 22/07/2011 01:21

Uma pessoa morreu e outras seis ficaram feridas, quatro delas em estado grave, no começo da noite desta quinta-feira em um acidente ocorrido na BR-040, altura do km 588, em Itabirito, Região Central de Minas. De acordo com a Polícia Rodoviária Federal (PRF), a batida envolveu dois caminhões, uma caminhonete e um carro de passeio.

Segundo o Corpo de Bombeiros, ao chegar no local do acidente as equipes de resgate encontraram duas vítimas presas às ferragens. Uma delas já estava morta. A outra foi levada em estado grave para o Hospital de Pronto-Socorro João XXIII. As outras cinco vítimas foram socorridas em hospitais da região.

Inicialmente a PRF informou que o trecho onde ocorreu o acidente ficou parcialmente interditado e com o trânsito no local fluindo de forma alternada. Entretanto, o órgão corrigiu a informação, esclarecendo que o tráfego foi totalmente interditado. Somente no começo da madrugada o trecho foi liberado.

http://www.em.com.br/app/noticia/gerais/2011/07/21/interna_gerais,241053/grave-acidente-deixa-um-morto-seis-feridos-e-para-o-transito-na-br-040-em-itabirito.shtml

Sobre Marcos O. Costa

Arquiteto Urbanista formado pela FAU Mackenzie com mestrado em estruturas ambientais urbanas pela FAUUSP. Associado à Borelli & Merigo, onde desenvolve projetos nas áreas de edificações e urbanismo. É professor da FAAP e da Escola São Paulo. A publicidade exposta neste Blog é de responsabilidade da Wordpress
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