Um roteiro para o Rio de Janeiro

O nome Rio de Janeiro surgiu em 1502 quando Gaspar Lemos e Américo Vespúcio, assim nomearam uma região do litoral da colônia portuguesa. Desde então a cidade do Rio de Janeiro, formalmente fundada em março de 1565 por Estácio de Sá, abrigou uma série de eventos importantes da história brasileira. A partir de 1763 torna-se sede do Governo Geral da Colônia, o que acarretou o aparecimento de uma série de benfeitorias urbanísticas, a mais significativa foi o Passeio Público, jardim projetado por Mestre Valentim em 1783 e um dos primeiros parques públicos do Brasil. Em 1808 com a chegada da corte portuguesa, a estrutura urbanística e arquitetônica da cidade se transforma completamente. A corte traz consigo a arquitetura neoclássica aos trópicos. O Jardim Botânico e a chamada “Missão Francesa” são marcos culturais deste processo. Os artistas da “Missão” criam a Academia de Belas Artes, que foi ao longo do século XIX a principal escola de Arquitetura brasileira, tendo influenciado toda uma geração que acabaria por desenvolver uma sólida tradição. Tradição esta, modificada na reforma modernista de Lúcio Costa nos anos 30 do século XX. Modernismo que é adotado pelo Estado Novo como linguagem arquitetônica oficial. É no edifício sede do MEC no bairro do Castelo, no centro do Rio, que se verifica a síntese pioneira da vanguarda corbusiana aplicada no país. Nos morros e favelas do Rio de Janeiro encontramos alguma das mais significativas intervenções urbanísticas dos últimos anos, onde a meta principal é integrar estas áreas ao tecido urbano da cidade.

Este brevíssimo histórico serve para apresentar algumas das razões pelas quais, uma visita ao Rio de Janeiro é de suma importância para o ensino da Arquitetura e do Urbanismo. Como nenhuma outra cidade no Brasil, o Rio abriga exemplares notáveis de cada período histórico, desde a colônia até o contemporâneo. Isto torna a cidade altamente didática. A maior dificuldade é organizar a visita de modo que esta se torne consistente e, mais importante, prazerosa.

Dois dias foi o prazo estipulado para a duração da visita. Assim, ela foi organizada da seguinte maneira: no primeiro dia Centro da cidade; no segundo Jardim Botânico e as obras de Niemeyer em Niterói. Certamente o primeiro dia era o mais complexo. A primeira questão era selecionar quais edifícios visitar e fazer desta seleção um todo coerente, que possibilitasse, inclusive, a ordenação de um trajeto. A saída foi adotar a Avenida Rio Branco, intervenção influenciada por Haussmann e realizada pelo Prefeito Francisco Pereira Passos em 1906, como uma espécie de eixo do nosso passeio. Partimos da Praça Mauá e chegamos ao MAM no Aterro do Flamengo. No meio do caminho breves desvios do nosso “eixo”, nos levaram ao Mosteiro de São Bento, Paço Imperial, Confeitaria Colombo, a um almoço na Cinelândia, ao Edifício do MEC, e mais uma dezena de edifícios apresentados em roteiro escrito e distribuído pelos próprios participantes da jornada. É importante frisar que este roteiro foi todo realizado a pé, e durou praticamente o dia todo. Mesmo exaustos, ainda restou animo para uma visita à Praia de Ipanema. O segundo dia o roteiro foi mais rodoviário. Primeiro uma volta pela Zona Sul a bordo do coletivo, depois a chegada ao Jardim Botânico, obra que permitiu reflexões sobre a arquitetura, o urbanismo e o paisagismo, de desenho neoclássico de acordo com a proposta original de frei Leandro do Sacramento de 1824. Em seguida partimos para a última parada: O Museu de Arte Contemporânea de Niterói. Projetado por Niemeyer em 1996 o Museu possui uma implantação verdadeiramente espetacular, em frente à Cidade do Rio de Janeiro e sua paisagem, e é um dos seus principais trabalhos, revelando a sua típica capacidade de síntese formal e estrutural.

Cheios de entusiasmo e, paradoxalmente melancólicos, iniciamos nosso retorno para São Paulo. Voltamos diferentes do que fomos. Educar é a nobre arte de despertar o entusiasmo, quer seja no Educador quer seja no Educando.

Sobre Marcos O. Costa

Arquiteto Urbanista formado pela FAU Mackenzie com mestrado em estruturas ambientais urbanas pela FAUUSP. Associado à Borelli & Merigo, onde desenvolve projetos nas áreas de edificações e urbanismo. É professor da FAAP e da Escola São Paulo. A publicidade exposta neste Blog é de responsabilidade da Wordpress
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