Para ONU, energias renováveis serão majoritárias em 2050

Physorg

por Marlowe Hood

tradução: Marcos O. Costa
As fontes de energia renovável do Sol, vento, água e biomassa podem e devem gerar a maior parte do abastecimento de energia do planeta até 2050, segundo um relatório preliminar das Nações Unidas obtido pela AFP.

As energias renováveis ​​têm o potencial de fornecer energia para as regiões mais pobres do mundo, aumentando a segurança energética de países dependentes das importações. Além disso elas contribuem para a limitação das emissões de CO2 que aumentam o aquecimento global, diz o rascunho.

As 30 páginas do “summary for policy makers” – resumido a partir de 1.500 páginas – está sendo examinadas em uma reunião, que terminará no dia 13 maio, entre as 194 nações do Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas (IPCC), em Abu Dhabi, e será apresentado segunda-feira.

“A versão final deverá ser muito diferente no texto e talvez um pouco na ênfase, mas não será alterada a sua substância”, disse um representante da indústria que participa das negociações.

De longe, a mais abrangente avaliação feita pela ONU da situação e do potencial do setor de energia limpa, o relatório indica 164 cenários de desenvolvimento em separado.

Seis tipos de energias renováveis ​​representaram, em 2008, 12,9 % da oferta global de energia: biomassa (10,2 por cento), a energia hidráulica (2,3), eólica (0,2), solar (0,1), geotérmica (0,1) e oceano (0,002).

Porém, uma vez que o uso tradicional de lenha e esterco animal para cozinhar e aquecer é colocado de lado, esse percentual cai para cerca de sete.

Carvão, petróleo e gás juntos compõem 85 %, e a energia nuclear 2%.

Impulsionado por algumas políticas de governo, pela diminuição dos custos da tecnologia e  pelo aumento dos preços dos combustíveis fósseis, ” a implantação das energias renováveis ​​tem  aumentado rapidamente nos últimos anos “, afirma o relatório.

O setor contribuiu, por exemplo, com quase a metade dos 300 gigawatts de nova geração de eletricidade adicionados mundialmente em 2008 e 2009, com mais de 50 por cento deles instalados em países em desenvolvimento. O carvão foi responsável pela maior parte do resto.

O relatório diz que há virtualmente ilimitado potencial técnico de energias renováveis, com grande parte dela proveniente de energia solar.

Elaborado antes que a crise de Fukushima minasse o chamado renascimento nuclear, o relatório diz que até meados do século, as energias renováveis provavelmente irão fazer uma maior contribuição para o fornecimento de energias “low-carbon”, do que a energia nuclear e a captura e armazenamento de carbono (CCS) combinados.

Globalmente, a maioria das projeções mostram um “aumento substancial” – que varia de 3 a 20 vezes – “Na implantação de energias renováveis ​​até 2030, 2050 e além”

Muitos cenários mostraram as renováveis ​​atingindo 200-400 exajoules (EJ) por ano até meados do século, num mundo onde a oferta total de energia primária prevista será de aproximadamente 1.000 EJ, ​​de acordo com a Agência Internacional de Energia (AIE).

Um exajoule é uma unidade de medida de energia.

A participação das energias limpas no abastecimento futuro varia imensamente entre as diversas previsões, sendo que a mais ambiciosa prevê um mundo em que elas cobririam três quartos de todas as necessidades energéticas.

Mas o contínuo crescimento das energias renováveis ​​não é inexorável e enfrenta muitos obstáculos, que vão desde interesses políticos até estruturas de incentivos inadequadas para o desenvolvimento de novas tecnologias, e o subsídios aos combustíveis fósseis.

“Para alcançar as metas internacionais de mitigação do clima que incorporam grande participação de energias renováveis, uma mudança estrutural nos sistemas atuais de energia será necessária nas próximas décadas”, disse o relatório.

Também será necessário um monte de dinheiro – de 1,4 a 5,1 trilhões de dólares para a próxima década, e outro 1,5-7,2 trilhões de dólares para o período 2021-2030.

As fontes limpas de energia devem desempenhar um papel fundamental para que as Nações Unidas alcancem o objetivo de impedir que a temperatura média global aumente mais de 2,0 graus Celsius (3.6 graus Fahrenheit), disse o IPCC.

Atualmente, o uso de combustíveis fósseis para fornecimento de energia responde por 60 por cento de todos os gases de efeito estufa.

As negociações climáticas da ONU permaneceram praticamente paralisadas desde o colapso da cúpula sobre o clima de Copenhagen em 2009, mesmo com a advertência dos cientistas de que a mudança climática está acelerando.

“A energia renovável pode ajudar a dissociar o desenvolvimento e crescimento das emissões, contribuindo para o desenvolvimento sustentável”, diz o relatório.

De acordo com vários cenários, a “poupança” global de CO2 gerada pelas energias limpas entre 2010 e 2050, será de 220-560 gigatoneladas (Gt), enquanto a acumulação projetada a partir de fontes de combustíveis fósseis será de 1530 Gt, no mesmo período.

A reunião do IPCC reservou quatro dias para analisar cada linha do texto do relatório.

http://www.physorg.com/news/2011-05-renewables-major-world-energy.html

Sobre Marcos O. Costa

Arquiteto Urbanista formado pela FAU Mackenzie com mestrado em estruturas ambientais urbanas pela FAUUSP. Associado à Borelli & Merigo, onde desenvolve projetos nas áreas de edificações e urbanismo. É professor da FAAP e da Escola São Paulo. A publicidade exposta neste Blog é de responsabilidade da Wordpress
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