Entrevista com Luiz Espallargas Gimenez

Revista AU

Contra a corrente
Para Espallargas, a arquitetura paulistana da década de 60 foi uma reação
ao modernismo, e não o aperfeiçoamento deste

Texto original de Alberto Mawakdiye – Fotos Marcelo Scandaroli

Defendida há oito meses na FAUUSP, a tese de doutorado do arquiteto, professor, conferencista e pesquisador Luis Espallargas Gimenez deve desencadear polêmica no tradicional meio acadêmico da arquitetura brasileira.

Em A Arquitetura Paulistana da Década de 60, Espallargas defende que o brutalismo típico daquela década, longe de ter constituído uma renovação natural do modernismo na arquitetura, teria sido, na verdade, uma degradação ou excisão do pensamento moderno mais estrito. “Foi uma espécie de abandono das grandes questões colocadas na década anterior, e que de certa forma não foram recuperadas até hoje”, defende Espallargas.

Crítico da arquitetura contemporânea que, a seu ver, está dominada pela provocação, por efeitos pitorescos e pelo recurso ao fácil monumentalismo, Espallargas se dedica à produção acadêmica e aos projetos de arquitetura. Na lista de seus trabalhos, está a co-edição dos números 10 e 11 da revista Óculum, dedicada ao projeto Céramique, em Maastricht, Holanda, do arquiteto Jo Coonen e publicada pela FAUPUC Campinas. Colaborou com entrevistas feitas ao arquiteto Paulo Mendes da Rocha e ao arquiteto Eduardo de Almeida, em dois livros de Helio Piñón publicados na Espanha pela Universidad Politécnica de Catalunya-UPC Ediciones. O primeiro, com versão brasileira pela Editora Romano Guerra.

Também participou da equipe organizadora do Seminário Rios Urbanos, em 2003, que reuniu arquitetos e engenheiros holandeses e brasileiros, além de estudantes de quatro universidades, para discutir e propor projetos urbanos ao longo de um trecho do rio Pinheiros, em São Paulo. Dos vários projetos que desenvolveu, destaca-se o da base de lançamentos de foguetes em Alcântara, no Maranhão, as edificações do Sistema Integrado de Vigilância da Amazônia (Sivan) e o conjunto habitacional Heliópolis 1, em São Paulo.

AU – HÁ QUEM TENHA SUAS RAZÕES PARA ESCOLHER A PROFISSÃO E HÁ QUEM A SIGA POR VOCAÇÃO. EM QUE CASO VOCÊ SE ENQUADRA?

ESPALLARGAS – Meu primeiro vestibular foi para geologia e bastou um semestre para me dar conta de que a área não me interessava. Não seria um bom geólogo. Tinha uma irmã que fazia arquitetura e, um pouco por influência dela, prestei vestibular novamente e entrei na FAUUSP. Mas acho que fui um mau aluno. Naqueles anos, entre 1973 e 1977, a FAU dava a impressão de estar um pouco desmontada pelas questões políticas, que vinham desde os anos de 1960. Muitos professores tinham sido cassados, como o Artigas, Mendes da Rocha e Maitrejean. Projetar, fazer arquitetura, era considerado menos importante, quase reacionário. Do primeiro ao terceiro ano, até o começo do quarto ano, eu me preparava para ser planejador urbano, um profissional dos grandes planos, das grandes decisões. Estudava sociologia, economia, lia aqueles textos dificílimos.

AU – HOUVE UMA MUDANÇA DE RUMOS?

ESPALLARGAS – A grande mudança se deu quando fui fazer um estágio, no quarto ano, no escritório de Rino Levi. Lembro-me de que precisava desenhar uma janela em uma parede. Essa coisa tão simples, para a qual os arquitetos dão pouca ou nenhuma importância, me pareceu um problema estupendo: onde e como colocar a janela? Comecei a estudar os detalhes tradicionais da arquitetura, o porquê de as coisas serem feitas de um jeito e não de outro, e percebi que tudo aquilo fazia sentido. E que esse sentido poderia sustentar uma carreira. Comecei a me interessar realmente por arquitetura quando praticamente já tinha saído da escola.

AU – APESAR DE TER DESCOBERTO O PRAZER DE PROJETAR, CONTINUOU A PESQUISAR E ESCREVER, NÃO?

ESPALLARGAS – Essa é uma característica pessoal. Sempre tive impulso para saber o porquê das coisas, de como explicá-las. Não foi por acaso que me aproximei da arquitetura pelas suas questões teóricas. Depois, vi que alguns arquitetos, alguns de meus heróis na arquitetura, também tinham essa preocupação, esse perfil. Eram projetistas e, ao mesmo tempo, faziam teoria.

Todos os profissionais importantes que fizeram a revisão da arquitetura moderna nos anos 1970, entre eles o Alan Colquhoun, Colin Rowe, Ignasi Sola-Morales e Tomás Llorens, por exemplo, geraram uma infinidade de livros. Eles retomaram a história da arquitetura, trataram a cidade desde vários pontos de vista. Esse prazer pela união da teoria com a prática se aprofundou quando ganhei uma bolsa para estudar na Universidade Politécnica da Catalunha, em Barcelona, uma cidade muito especial do ponto de vista urbano e arquitetônico. Durante muito tempo achei que todos arquitetos também devessem escrever, manter as duas atividades. Hoje não acho mais isso.
Acredito que o bom arquiteto age, em grande medida, com base na intuição.

Não precisa buscar as causas daquilo que faz nas teorias, nos grandes esquemas conceituais. Apesar de desconfiar que os atributos da arquitetura não venham das teorias, não tiro o mérito dos que se ocupam com isso.

AU – ESCREVER SEM A PREOCUPAÇÃO DE PROJETAR TORNOU-SE BASTANTE COMUM?

ESPALLARGAS – Isso é conseqüência do aumento do número de escolas e de cursos de especialização, mestrado e doutorado no País. Há 15 anos, a FAUUSP era uma das poucas escolas que oferecia doutorado. Hoje, há centros de pesquisa no Rio de Janeiro, em São Paulo, no Rio Grande do Sul, em Santa Catarina, na Bahia, um pouco por toda parte, o que fez com que o número de pesquisadores crescesse. Muitos arquitetos se formam, entram imediatamente em programas de pós-graduação e, de alguma maneira, engatam na atividade acadêmica. Isso e um crescimento editorial concomitante promoveram uma produção histórica e teórica sobre arquitetura e urbanismo que não existia antes no Brasil. É algo natural: quando se criam oportunidades, elas serão aproveitadas.

AU – COMO VOCÊ VÊ A MULTIPLICAÇÃO DE PESQUISADORES? É POSITIVA PARA A ARQUITETURA BRASILEIRA?

ESPALLARGAS – Positiva, sem dúvida, embora veja alguns perigos. A maneira como escrevemos a história deveria direcionar a produção da arquitetura. Quando alguém de credibilidade emite juízos ou críticas sobre arquitetura, certamente influenciará quem faz os projetos. Os pesquisadores têm muita importância sobre a produção da arquitetura. Mas não sei se todos pesquisadores têm hoje esse tipo de preocupação. Dá a impressão de que as questões cruciais da arquitetura brasileira ¿ o que buscamos, o que queremos ¿ não são abordadas, pelo menos na maioria dos trabalhos divulgados. Há, por exemplo, muita pesquisa histórica, muitas informações e méritos pessoais dos arquitetos, mas pouco julgamento dos artefatos. Há boa técnica histórica, mas insuficiente juízo estético.

AU – POR QUE ACONTECE ISSO?

ESPALLARGAS – Percebo que um número muito grande de pesquisadores sai da graduação e entra imediatamente nos cursos de pós-graduação, sem passar pela atividade de projeto. Hoje há jovens se doutorando com 30 anos. É fantástico, é ótimo que um profissional seja doutor aos 30 anos. No entanto, conta apenas com conhecimento literário da arquitetura. Talvez para falar com desenvoltura de projetos fosse vantajosa uma experiência com arquitetura, com seus problemas internos, com a intransferível percepção com que o projetista toma decisões. Deveria-se discutir mais essa separação entre o incontornável campo estético em que se pratica o projeto e o das convenções e ideologias com que se faz crítica à arquitetura. Não é um problema apenas brasileiro. Está espalhado por todo o mundo.

AU – É A DISCUSSÃO DA ARQUITETURA DESVINCULADA DA PRÁTICA?

ESPALLARGAS – Sim, porque ao pesquisador cabe ser crítico e teórico. As técnicas de pesquisa acadêmica não obrigam ninguém a aprender a fazer projetos. O mais importante livro sobre arquitetura moderna brasileira foi escrito pelo arquivista paleógrafo francês Yves Bruand (Arquitetura Contemporânea no Brasil) que, sem ser arquiteto, se preparou para pesquisar a Idade Média. Era um técnico meticuloso em pesquisa, a quem, certamente, alguém transmitiu juízos estéticos e montou a estrutura de sua narração moderna. Um pesquisador que não tem formação no campo da arte aplicada, no campo da estética, deve emprestar, em grande medida, juízos prontos. Filia-se a alguma corrente e inicia um julgamento a partir daí. A crítica, a historiografia, correm o risco de tornar-se um corpus em si. Quantos desses livros recentes são apenas a concatenação de citações?

AU – OS ARQUITETOS PROJETISTAS NÃO PODERIAM ENRIQUECER ESSA DISCUSSÃO, ESCREVENDO TAMBÉM?

ESPALLARGAS – Os arquitetos de prancheta acham que não têm mérito para escrever. Mesmo que façam arquitetura de excelente qualidade. Intuem a boa forma na arquitetura e acham que não têm como exprimir essa intuição em palavras. Então, quem costuma falar sobre arquitetura, de maneira geral, são aqueles que não praticaram arquitetura, nunca tiveram contato efetivo com esse lugar da profissão. A arquitetura é visual, tem especificidades, posturas, maneiras de pensar e de organizar problemas que são muito peculiares, e que envolvem desde a capacidade de desenhar até a certeira compreensão do encaminhamento formal. Isso tudo é intransferível e é muito difícil de ser transformado em texto.

AU – ESSAS ESPECIFICIDADES ESTÃO INCLUÍDAS EM SUA TESE DE DOUTORADO?

ESPALLARGAS – Sempre tive dificuldade para ler os grandes compêndios de arquitetura. Nunca me interessaram muito. Prefiro ler artigos que se aprofundem nesse ou naquele aspecto da arquitetura. Talvez por isso minha tese tenha um recorte mais fechado e apresente uma discussão mais específica. Eu elegi uma década, um conceito para análise, e montei um cenário com menos pessoas e mais objetos dentro. Há também muita experiência minha na tese. Até porque fiz um doutorado tardio, aos 50 anos, de certa forma na contramão da tendência atual.

AU – POR QUE A DÉCADA DE 1960?

ESPALLARGAS – Porque é a arquitetura mais prestigiada de São Paulo e a que tem os maiores problemas relativos às opções que os arquitetos fizeram pela profissão. Os anos de 1960 são tidos como um período de avanço da arquitetura brasileira. O tal brutalismo, que é típico dessa época, é visto como um progresso, como uma tentativa bem-sucedida de recolocar a arquitetura moderna nos trilhos. A história trata o brutalismo com naturalidade. Eu parto da hipótese contrária. Será que o brutalismo não seria uma evasão, uma ruptura até radical em relação ao pensamento moderno?

Será que, em última instância, não seria uma degradação do corpo e do pensamento modernos da arquitetura? Enfim, tento mostrar que toda a questão da técnica e do determinismo material presentes no brutalismo correspondem ao abandono da questão moderna. Também tento demonstrar que essa ruptura, no quadro da arquitetura brasileira, se dá antes, na década de 1950. Em 1960 o panorama já era outro. Muitos arquitetos passaram a subordinar seus infortúnios às injunções políticas do País. Mas tenho a impressão de que uma parte dos problemas que os arquitetos enfrentam nessa época, com respeito à profissão, foi provocada pelas decisões tomadas por eles mesmos no interior da própria profissão, e antes da derrocada democrática da década de 1960.

AU – E HOJE, COMO VOCÊ VÊ A PRODUÇÃO ARQUITETÔNICA BRASILEIRA?

ESPALLARGAS – Vejo, naquela que é publicada, uma certa predominância da arquitetura de marketing, uma arquitetura de impacto feita para pessoas de limitado refinamento formal, que só podem ser despertadas para o projeto se ele for provocativo, pirotécnico. O que predomina é o culto à aparência, à monumentalidade. Não creio que seja o melhor caminho. Claro, há também arquitetos fazendo boa arquitetura, longe dos estilismos favorecidos pelo mercado. Há, em São Paulo, exemplos de projetos de arquitetura notável, muito bem resolvidos. Porém trabalhar dessa forma mais discreta não parece ser uma preocupação do conjunto dos arquitetos. Até mesmo os alunos se queixam do “tolo” ângulo reto, pouco inspirado, para justificar as quebradas e curvas, sequer sentimentais ou inteligentes, como marca dos iniciados. É melancólico.

AU – ONDE ESTÃO AS INOVAÇÕES NA ARQUITETURA BRASILEIRA ATUAL?

ESPALLARGAS – Os arquitetos gostam muito de usar a palavra invenção. Eu prefiro usar o termo descobrir em vez da ação de inventar. A descoberta é mais ligada à ciência, à organização, ao assunto cognitivo. Já a invenção pode ser rasa como a inspiração: pode-se inventar qualquer coisa. O arquiteto vive hoje em um sistema semelhante ao da moda. Não é por acaso que a discussão da arquitetura foi rebaixada à discussão do estilo. O curioso é que, ao mesmo tempo, o arquiteto quer ser responsável pelas decisões da cidade. Há um contra-senso enorme aí. Se a arquitetura pode dar algum sentido para a cidade, não é pelo estilo que ela abraça, ou pela “coleção da estação” que vai usar. Moda faz parte de uma circunstância, pertence por definição a um curto período de tempo. A arquitetura surge como fundamental na construção de uma cidade se a noção de forma se esquivar da aparência superficial e se concentrar na estruturação, reconhecimento e organização dos problemas físicos e geográficos. Se o objeto se agarrar à forma como sua verdadeira razão de existência.

AU – DENTRO DA PERSPECTIVA DO PLANEJAMENTO URBANO?

ESPALLARGAS – Deveríamos partir do princípio de que uma cidade como São Paulo é, com certeza, formalmente desestruturada. A arquitetura existe para estabelecer sentidos formais entre diferentes objetos e, por isso, deveria ter um papel determinante no desenho da cidade. Planejamento urbano é um conceito mais abstrato, menos formativo. A arquitetura de uma cidade teria mais a ver com o urbanismo. O plano é um diagnóstico que estabelece soluções dentro de parâmetros sociais, econômicos e administrativos, com o intuito de estabelecer uma estratégia, uma certa configuração esquemática da cidade. Já a arquitetura, se deve agir na cidade, deve fazê-lo do ponto de vista das relações formais que pretende estabelecer. Isso é o que gosto de considerar o urbanismo.

AU – O BRASIL NÃO PRATICA O URBANISMO DENTRO DESsE CONCEITO?

ESPALLARGAS – Temos de fato pouquíssimos exemplos de boas intervenções urbanísticas. Mas as que foram feitas são efetivamente boas. Em São Paulo, um prédio de uso misto como o Conjunto Nacional (David Libeskind), na Avenida Paulista, a Galeria Metrópole (Salvador Candia e Gian Carlo Gasperini) e o Edifício Copan (Oscar Niemeyer), no Centro da cidade, são exemplos de projetos que causaram impacto urbano positivo. Alguns projetos recentes também conseguiram chegar lá, como o conjunto da Brascan, do escritório Königsberger Vannucchi, no Itaim. O térreo aberto e repleto de lojas, lanchonetes, cinemas é um ponto exemplar do projeto, que dilui uma área comercial no espaço público da cidade. O problema de São Paulo está em seus espaços públicos. Se muitas intervenções privadas reforçassem aspectos públicos, teríamos outra cidade. Vejam como a iniciativa privada, pelo projeto Colméia, reagiu na Vila Olímpia, em São Paulo, ao congestionamento e ao imobilismo da administração pública.

AU – MAS NEM TODO ARQUITETO TEM A LIBERDADE PARA DESENVOLVER UM PROJETO DESSES.

ESPALLARGAS – É um empreendimento organizado para ganhar dinheiro. Mas hoje são esses interesses privados que constroem a cidade, e a questão pública tem de ser contemplada de uma maneira ou de outra. A Brascan não tinha necessidade de aceitar aquele projeto, mas aceitou. Porque sabe que vai atrair a atenção dos clientes, dos investidores, e que será positivo para os negócios. Quanto mais forem abertos espaços públicos, mais descongestionada e mais agradável uma cidade se torna. Em Nova York, a abertura dos térreos privados para o espaço público é uma tradição. As corporações sabem que parte da imagem institucional que elas detêm deve-se, em boa medida, aos espaços públicos que elas mantêm na cidade.

AU – ISSO É ENSINADO NOS CURSOS DE ARQUITETURA?

ESPALLARGAS – Sim, e eu mesmo faço questão de realçar essas idéias em minhas aulas. Hoje é bastante difícil ensinar arquitetura. Meus alunos do primeiro ano chegam à sala de aula com idéias acabadas sobre a arquitetura. Eles a vêem como um negócio cheio de edifícios irregulares, infletidos. Sentem tédio pelos edifícios planos. Essa mentalidade me lembra o século 19, com a art-noveau, tudo colorido, provocativo. O conceito de arquitetura está difundido hoje dessa maneira, é um grande espetáculo e os arquitetos são celebridades que propõem coisas raras e bizarras, em um processo de superação que, desencadeado, ninguém sabe como termina. Motivado pela mesma cultura da fama das bandas de rock e dos artistas de Hollywood. Porém, como dizem os colegas castelhanos: os arquitetos não têm de ser famosos, têm de ser importantes. Seria bom se nós, arquitetos, tivéssemos um olhar mais cultivado e fôssemos mais exigentes.

http://www.revistaau.com.br/arquitetura-urbanismo/136/imprime22200.asp

Sobre Marcos O. Costa

Arquiteto Urbanista formado pela FAU Mackenzie com mestrado em estruturas ambientais urbanas pela FAUUSP. Associado à Borelli & Merigo, onde desenvolve projetos nas áreas de edificações e urbanismo. É professor da FAAP e da Escola São Paulo. A publicidade exposta neste Blog é de responsabilidade da Wordpress
Esse post foi publicado em Htau 7 e marcado , , . Guardar link permanente.

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s